sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Outras linguagens na escola


Um dos capitulos mais ricos deste livro é o "desenho animado e educação" em que a autora "procura verificar como as imagens são constuídas e absorvidas pelo público infantil e de que maneira a escola pode iniciar os alunos na leitura de novos textos."

Analisando o desenho animado Papa-léguas (Wile E. Coyote & Road Runner), Ligia Chiappiniinsere a questão do desenho na aprendizagem afirmando que "os alunos são telespectadores que gostam da TV e aprendem com ela: modos de falar, slogans, padrões de comportamento, informações, padrões de análise. Tudo isso se dá através da linguagem icônica ou imagética e da linguagem sonora.
Realmente, trata-se de um livro prático com rica exemplificação através de estudos de casos que podem servir como ponto de partida para uma re-visão da utilização das mídias em sala de aula.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os contrários do amor



O amor é finalmente
Um embaraço de pernas,
Uma união de barrigas,
Um breve tremor de artérias.

Uma confusão de bocas,
Uma batalha de veias,
um reboliço de ancas
Quem diz outra coisa é besta.

(Gregório de Mattos Guerra, in O Boca de brasa,pág. 203)

sábado, 6 de dezembro de 2008

O amor natural


Carlos Drummond de Andrade

A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.

Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio.
Anda por sina cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.

Leia mais clicando na foto acima


sábado, 29 de novembro de 2008

Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello


Assista ao vídeo clicando na imagem acima




Artigo I.







Fica decretado que agora vale a verdade,



que agora vale a vida



e que, de mãos dadas,



trabalharemos todos pela vida verdadeira.



Artigo II.



Fica decretado que todos os dias da semana,



inclusive as terças-feiras mais cinzentas,



têm direito a converter-se em manhãs de



domingo.



Artigo III.



Fica decretado que, a partir deste instante,



haverá girassóis em todas as janelas,



que os girassóis terão direito



a abrir-se dentro da sombra



e que as janelas devem permanecer, o dia



inteiro, abertas para o verde onde cresce a



esperança.

sábado, 8 de novembro de 2008

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

PEDAGOGIA DA AUTONONIA, Paulo Freirre


"Foram as suas idéias, professor, que permitiram a Lula, o metalúrgico, chegar ao governo. Isso nunca acontecera antes na história do Brasil e, quiçá, na do mundo, exceto pela via revolucionária. (....)

(...) A sua pegagogia, professor, permitiu que os pobres se tornassem sujeitos políticos. (...) Graças às suas obras, professor, descobriu-se que os pobres têm uma pedagogia própria. Eles não produzem discursos abstratos, mas plásticos, ricos em metáforas. Não moldam conceitos: contam fatos. Foi o senhor que nos fez entender que ninguém é mais culto do que outro por tem freqüentado a universidade ou apreciar as pinturas de Van Gogh, e a música de Bach. O que existe são culturas paralelas, distintas e socialmente complementares.

(...) O pobre sabe, mas nem sempre sabe que sabe. E quando aprende é capaz de expressões como esta que ouvi da boca de um senhor, alfabetizado aos 60 anos: "Agora sei quanta coisa não sei". (...) O senhor fez os pobres conquistarem auto-estima. Graças as seu método de alfabetização, eles aprenderam que "Ivo viu a uva" e que a uva que Ivo viu e não comprou é cara porque o país não dispõe de política agrícola adequada e nem permite que todos tenham acesso à alimentação básica.

(...) ao longo das últimas quatro décadas, seus "alunos" foram emergindo da esfera da ingenuidade para a esfera da crítica; da passividade à militância; da dor à esperança; da resignação à utopia. Convencido pelo senhor de que são igualmente capazes, eles foram progressivamente ocupando espaços na vida política brasileira, como militantes das CEBs, do PT, do MST e de tantos outros movimentos. Por este novo Brasil, muito obrigado porofessor Paul Freire."

Frei Beto

sábado, 11 de outubro de 2008

A ESTANTE DO AUTOR

Dez livros da biblioteca de Machado (guardada na ABL) - Rafael Pereira (Época, 29/09/2008) que o influenciaram

Viagem a Minha Terra
Almeida Garret
Machado chamou Garret de "um dos maiores da língua". O autor português completa, ao lado de Sterne e Maistre, a trinca de autores basilares para a criação de Brás Cubas e, por conseqüência, do início da fase não-romântica do autor.




















A Divina Comédia
Dante Alighieri
É um dos poemas que mais o inspiraram, principalmente em seus primeiros escritos. Segundo estudiosos, Machado fez em seus romances, contos, crônicas e cpoesias um total de 24 citações diretas ou indiretas à obra-prima de Dante.


A Família - A Mãe
Eugène Pelletan
É um estudo sobre como a mulher poderia conquistar postos políticos no fuuro. machado sugeriu o livro a Carolina. Ele era defensor dos direitos da mulher.

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy
Laurence Sterne
A história de um homem por ele próprio em um texto irônico e digressivo. Soa familiar? As semelhanças com Memórias Pósumas de Brás Cubas não são coincidências. Apontado por estudiosos como o romance preferido de Machado de Asis, Tristram Shandy foi o gande reponsável pela metamorfose do romantismo ao humorismo.
Viagens ao Redor do Meu Quarto
Xavier de Maistre
Citado em Memórias Póstumas..., Maistre foi outra influência na segunda fase do escritor. Se Brás Cubas, segundo Machado, através de seu eu-lírico, foi escrito "com a pena da galhofa e as tintas da melancolia", muito da galhofa foi inspirada em Maistre.
Otelo, o Mouro de Veneza
William Shakespeare
Machado tinha as obras completas do escritor inglês em sua biboliteca, e muitos estudos sobre o autor apontam uma ligação seminal entre seu maior romance, Dom Casmurro, e Otelo.
Oliver Twist
Charles Dickens
No começo da vida literária, em 1873, Machado citou Charles Dickens como uma de suas maiores influências na confecção de contos. na mesma década, iniciou a tradução para o português de Oliver Twist, de Dickens. Desistiu depois de concluir 28 dos 53 capítulos.
Tragédias
Sófocles
Segundo um estudo que detectou as marcas de dedos nos livros da biblioteca, Les Tagédies, a coletânea em francês das tragédias de Sófocles, era um dos livros mais manuseados pelo autor.
Dom Quixote de La Mancha
Miguel de Cervantes
Foi um de seus livros de cabeceira. O médico Simão Bacamarte e o boticário Crispim Soares, da novela O Alienista, de Machado de Assis, seriam, segundo especialistas, paródias de Dom Quixote e seu fiel escudeiro, Sancho Pança.
O Mundo como Vontade e Representação
Arthur Schopenhauer
Na biblioteca estavam as obras completas do filósofo alemão. ele herdou a visão pessimista. Citou-o no conto "O Autor de si mesmo", dizendo-se inspirado por um dos capítulos de O Mundo como Vontade e Representação.
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sábado, 4 de outubro de 2008

O Bruxo do Cosme Velho


"As personagens de Machado são profundamente brasileiras, mas seus traços de brasilidade não se identificam aos traços que a tradição literária romântica nos ensinou a considerar brasileiros, como por exemplo o índio corajoso e exótico, ou o sertanejo folclórico e pitoresco. Não. A brasilidade de Machado de Assis evita falar de índios coloridos e tipos regionais.

A brasilidade de Machado consiste, assim, na fidelidade com que o romancista traz para seus romances todo o ambiente da sociedade urbana brasileira, miniaturizada nos salões e grupos humanos do
Segundo Império e dos primeiros anos da República. Machado recria, em seus romances, o mundo carioca (e brasileiro) de uma sociedade arcaica, cujos hábitos antigos e cerimoniosos e cujas atitudes cnvencionais dissimulavam, na boa educação e nos modos polidos, toda a violência de uma sociedade escravocrata, onde o apadrinhamento e o "jeitinho" solucinavam, sempre que necessário, as situações geradas por uma estrutura social assentada nos privilégios e numa divisão desigual dos bens." (LAJOLO, M. Literatura Comentada - Machado de Assis. São Paulo: Abril Educação, 1980)

CAPÍTULO CLX - Das negativas

"Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padecia a morte de Dona Plácida, nem a semi-demência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. ( ASSIS, Machado.
Memórias Póstumas de
Brás Cubas
. Brasília. Civiliz
ação Brasileira/MEC, 1975)




e agora, passeie procurando as palavras por trás das palavras...

A UM BRUXO, COM AMOR

Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e não me recebes
na sala trastejada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.


Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.
Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios

e deitá-los abaixo entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados que não foram feitos para ciumentos.
E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de
Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo

(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, iqual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a susurrar alguma coisa
que não se entende logo
e parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É
Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de
Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de
D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de manhã nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)

o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.

O eflúvio da manhã,
que o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?


Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que revolves em mim tantos enigmas.


Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais reposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.
(DRUMMOND, Carlos Drummond de Andrade. Reunião. RJ, José Olympio, 1980)

...e a respeito da fidelidade de Capitu?


...e sobre o amor de Machado por Carolina ?


Afinal, o que o Bruxo nos deixou, mesmo, foi um montão de mistérios.


Quem não os penetra serve de troça aos piparotes do Cubas em meio às traças roendo suas memórias, rssss

















Quer saber mais ? Então venha AQUI...



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