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terça-feira, 15 de outubro de 2024

Riscos e Recompensas: o magistério em Movimento comemorando mais um dia de luta.

Celebrando o meu 44° Dia do Professor, dedico um agradecimento especial à professora Caroline, não só por se empenhar muito no seu trabalho, generosamente às crianças, como também pelo afeto e carinho ao nosso filho. E quando penso nas professoras da educação infantil, como ela que dedicam suas vidas para cuidar e educar nossos filhos, sinto uma profunda admiração.




A tia Carolzinha, como amorosamente é chamada pelos pequenos, além do educar, cuidar e amar,  tem oportunizado aos seus alunos  as primeiras experiências e grandes aventuras, que, certamente, construirão suas primeiras memórias afetivas.

Assim como outras colegas da educação infantil, trabalha incansavelmente, planejando atividades, criando um ambiente acolhedor e seguro para nossas crianças. E tudo isso por um salário que, muitas vezes, não corresponde à importância do seu trabalho. Muito desolador é que professoras daquele segmento trabalham bem mais e ganham bem menos que meus colegas do ensino superior. Mais ruim ainda é ver que são elas que puxam as greves lutando não só para o segmento que representam, mas para toda a categoria.

Claro que, nestas mais de quatro décadas em salas de aula, muita coisa mudou na educação, mas, para mim, a sala de aula, para mim, sempre foi um lugar de educação, aprendizagens e formação, em que vivenciei muitas emoções e esperanças: muitos de meus alunos e alunas hoje são pais e mães de família, atuando no mercado com o curso superior concluído. 

Quem diria que aquele rapaz, ainda cheio de cabelos, que começou a dar aulas ainda no pré-vestibular, aos vinte e poucos anos, com uma licença provisória do Ministério do Trabalho, chegaria a ser um veterano das salas de aula, viajando em trens lotado?, Ao longo dos anos, participei de diversas lutas por melhores condições de trabalho e salários mais justos. Corri de policiais, enfrentei bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, cercado por policiais, com helicópteros voando baixo pra nos assustar, mas nunca desisti da minha luta. Sozinho, em grup9s, de mãos dadas, a situação pedia a melhor estratégia. Nem sempre combinada durante a viagem no ônibus do nosso sindicato.



Afinal, a educação pública, gratuita, de qualidade é um direito de todos e toda a sociedade, conforme a Constituição por cuja construção eu e minha geração lutamos e dei continuidade com meus colegas de luta.


Foi muito foi bom cozinhar naquelas enormes panelas para aquela galera. Assim, a minha jornada como professor tem sido uma montanha-russa de emoções, da euforia de uma sala de aula animada até a paz de tocar meu violão no fim do dia, em minha casa, com a minha família.






Comecei dando aulas em Copacabana, um mundo distante da realidade que conheceria mais tarde, em trens lotados, da Tijuca à zona oeste. Ria muito quando em algumas vezes dormi no trem e passei da estação! Era só voltar pra casa rs. Quantas vezes me perdi nas linhas de trem da Central do Brasil! Numa vez, chovendo demais, não tinha como entrar no trem devido à superlotação: sentei num dos bares e tomei várias tulipas e canecas. com um colega, meu orientador na UFRRJ.

Na UFRRJ, a experiência foi enriquecedora. As minhas alunas me presentearam com um chá de bebê inesquecível, e, ante disto, participando da banca de vestibular, vivenciei momentos de grande aprendizado. Já dando aulas, como professor substituto, a jornada até a universidade era um verdadeiro desafio, especialmente quando tinha que encarar a Avenida Brasil de madrugada. E chovendo muito com pouca visão. Quase atropelei uma carreta! Tinha que parar para tomar café e acordar pra seguir pra casa.


Foi nas salas de aula que vivi momentos inesquecíveis. Vi minhas filhas crescerem. Minha filha mais velha, viajando comigo, participava de minhas aulas em diversas cidades. Também me dos pequenos gestos de afeto dos meus primeiros alunos de uma escola  municipal em Paciência, valorizando a minha presença em suas vidas.

Mas a vida de um professor não é um mar de rosas. Já trabalhei em escolas com recursos limitados, em comunidades carentes, onde a violência era constante. Não foram poucas as vezes que escolas tiveram que fechar para evitar que os alunos fossem atingidos por tiros.

Em São Gonçalo, por exemplo, tive que lidar com a violência nas comunidades, com escolas fechadas por causa de tiroteios e com condições de trabalho precárias. A falta de recursos e a infraestrutura inadequada muitas vezes impediam que eu pudesse oferecer aos meus alunos um ensino de qualidade.

Do ensino fundamental ao superior, lecionando em escolas laicas, religiosas, técnicas de ensino integral e militares, a experiência num colégio militar, em Angra dos Reis, assim como em um religioso, no Catete, me apresentou um contraste total. Lá, os alunos tinham acesso a uma estrutura moderna e completa, com laboratórios, bibliotecas e quadras esportivas. Mas, mesmo em um ambiente privilegiado, os desafios da educação permanecem os mesmos: a necessidade de inspirar, de motivar e de fazer a diferença na vida dos jovens.




Mas, apesar de todas as alegrias, a verdade é que a nossa categoria ainda enfrenta muitos desafios. A falta de valorização, os baixos salários e as péssimas condições de trabalho são apenas alguns deles.

Tem que se valorizar mais os nossos professores, especialmente aqueles que atuam na educação infantil. São eles que moldam as primeiras experiências de nossos filhos, despertando neles a curiosidade, a criatividade e o amor pelo aprendizado. Mas, valorizar com a recomposição salarial, cumprimento de planos de cargos e salários e restituição de tudo o que vimos perdendo desde os anos 80.

Hoje, no Dia do Professor, celebro todas as minhas conquistas e agradeço a todos os meus alunos que me ensinaram tanto. Agradeço também ao SEPE, que sempre esteve ao meu lado nessa luta e, hoje, olhando para trás, vejo que a minha vida foi moldada pela educação. E espero que a minha história possa inspirar outros professores a seguirem esse caminho tão gratificante e desafiador..

A educação é um ato de amor. É investir no futuro, é acreditar no potencial de cada pessoa. E, apesar dos desafios, não trocaria a minha profissão por nada nesse mundo. Afinal, ser professor é mais do que transmitir conhecimento, é transformar vidas.


Por isso, hoje, além de comemorar, quero fazer um convite à reflexão. A educação transforma vidas, e nós, professores, somos os artífices dessa transformação. Que possamos continuar nossa jornada com paixão, dedicação e esperança, sempre buscando um futuro melhor para todos.

Neste Dia do Professor, quero fazer um chamado à reflexão. A educação é a base de uma sociedade mais justa e igualitária. E para construirmos essa sociedade, precisamos valorizar e apoiar os nossos professores. Que tal começarmos por reconhecer o trabalho incrível que eles realizam e exigir melhores condições de trabalho e remuneração?

E, além da reflexão, para celebrar este dia tão especial, nada melhor do que um bom churrasco, uma música, uma cervejinha gelada (pra quem gosta!) e muita alegria. Afinal, depois de tantos anos de luta, merecemos um descanso!

Parabéns, professora Caroline, e todas e todos os meus colegas de luta por mais este dia, porque DIA DO PROFESSOR É TODO DIA!



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Autorização e autonomia em meio às "caras de 'ué?!"



Creio que todos nós, professores, já nos encontramos diante de uma turma  cujos  alunos permaneceram completamente calados.
No meu caso, a cara de “ué?!”  me colocava em dúvida sobre,: 1) se não nem ao menos me escutaram; 2) se não entenderam nada do que falei ou  então 3), já sabiam de tudo, ou...
A estas inúmeras dúvidas  se acrescentaram  outras, a partir de tantas outras discussões, conversando sobre autorização entendida como a capacidade de nos libertarmos o suficiente para escrever, falar, enfim, expressar as ideias que vimos  construindo – e desconstruindo -   quando necessário em todo e qualquer lugar a qualquer momento.
Crescemos na dualidade entre duas “escolas”: a escola escola e a “escola da vida” e foi, exatamente esta que fez com que adquiríssimos a liberdade necessária para não ficar “com o dedo levantado na sala de aula”, aguardando que a professora nos “desse a palavra”.
Todos nós,  de alguma forma, já pegamos, em algum momento,  o nosso “pé de cabra”, a nossa picareta, a nossa “malvina” tão necessárias e necessários em determinados momentos, quando não nos cederam as  chaves, o código de acesso, a regra da etiqueta: “aguarde a sua vez para falar, isto é sinal de educação”, ou, então, “ouça primeiro, pra depois falar”.
Não que não existam procedimentos necessários para que todos possam aproveitar de uma conversa. O que digo aqui é que vejo como necessário um ambiente horizontalizado para que haja interação, intercriticidade, diálogo, lembrando a ideia contida no sufixo desta palavra: “ através”.
Palavras transpassando, o que me permite repensar a máxima de Paulo Freire: "A liberdade sem limite é tão negada quanto a liberdade asfixiada ou castrada" (p. 105)
Dentro ou fora das diversas salas de aula, horizontalizamos  freirianamente estes espaços de construção, no coletivo, transpassado por tantas narrativas, demonstrando nossa autorização e autonomia.
Creio que autorização, que prescinde da autonomia,  é a inversão da lógica do sistema explicador (Rancière), na medida em que  “ninguém é sujeito da autonomia de ninguém” (Freire, p. 107) e que  nos autorizamos e desenvolvemos nossa autonomia com o nosso amadurecimento, com todas as nossas experiências respeitosas da liberdade.
Talvez seja por isto que tanto nos incomoda a cara de “ué?” nos estudantes: pensando a lógica da dominação simbólica, pode ser que alguns deles ainda estejam esperando que alguém lhe dê a palavra... ou não.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33ª ed. São Paulo: Paz e Terra. 1996.
RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual. 3ª Ed.: Belo Horizonte: Autêntica. 2011
Julio Roitberg, 30/10/2012

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dia do Estudante



O dia do estudante é comemorado em 11 de agosto, a mesma data em que foram instituídos os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do Brasil, por Dom Pedro I, no século XIX.

Em razão dessa marcante decisão, Celso Gand Ley, cem anos após a criação desses cursos, em 1927, indicou a data para se tornar o dia do estudante.

Vários presidentes do nosso país, artistas e escritores se formaram nesses cursos; um da USP, através da escola do Largo São Francisco e o outro em Olinda, depois transferido para o Recife.

A faculdade mais próxima do Brasil era em Portugal, na cidade de Coimbra, e quem quisesse estudar em nível superior tinha que ir para lá ou para outras localidades da Europa, a fim de concluir seus estudos. Isso antes da criação desses cursos no Brasil.

As turmas iniciantes tinham poucos alunos e as estruturas das escolas eram bem simples, com salas feitas de taipa, no prédio do Convento de São Francisco. No ano de 1934 o curso foi incorporado pela Universidade de São Paulo – USP.

Estudar é exercitar a memória para adquirir conhecimentos, aprender. Mas para que isso aconteça um estudante deve frequentar uma escola e participar das atividades propostas, fazer as tarefas de sala bem como as passadas para serem feitas em casa, além de estudar em casa os conteúdos que foram passados em sala de aula.

Com o passar dos anos, passa a entender as matérias através da reflexão e da análise das mesmas.

Os estudantes devem ser responsáveis com seus estudos, pois o sucesso profissional virá através de muita dedicação. Além disso, merecem todo respeito e consideração de seus familiares, pois é o seu trabalho.

No Brasil, a educação é um problema social, pois não atende a demanda da quantidade de crianças e jovens que deveriam ingressar nos estudos. As escolas não possuem estrutura física adequada, além de faltar muitas vagas, fazendo com que um grande número de crianças e adolescentes não tenham a oportunidade de estudar.

A educação é uma responsabilidade dos governantes e está na Constituição do nosso país, mas ainda está muito deficitária, com professores mal remunerados e um ensino de pouca qualidade. Tudo isso favorece a evasão e a repetência escolar.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola