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quinta-feira, 22 de julho de 2021

E as crianças, Dudu?! (3/3)

Sobre crianças transmitirem pouco, não transmitirem ou, ainda, serem contaminadas grave ou levemente, o estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em setembro de 2020, ainda que em menor proporção - isto antes da vacinação, claro! - pensando na mobilização da sociedade forçando um retorno às aulas presenciais, revela que as escolas e creches podem ser reabertas, desde que medidas de mitigação adequadas estiverem em vigor e os funcionários devidamente imunizado, conclui a pesquisa.

É possível impedir uma criança de 3 anos de trocar a sua máscara de proteção? Como saber do contágio dos funcionários da creche ao se deslocar, diariamente, para a escola? Se ela teve contato com alguma pessoa infectada nos últimos 10 dias? Se todos dentro de suas casas já foram imunizados completamente? E, por fim, como evitar o tão necessário abraço, o carinho, o contato entre as crianças e, até mesmo, suas professoras de quem elas tanto sentem falta?! Estas e outras questões sobre os riscos da retomada, apontadas pelo infectologista pediátrico Fabrízio Motta, supervisor do Serviço de Infectologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre me serve como alerta.



Então, meu querido Dudu, prefeito Eduardo Paes em que, assim como a maioria dos meus colegas, votamos, consciente e, até o momento, acertadamente - claro que, muito mais para expulsar o Crivella! -, mas conhecendo um pouco de suas administrações anteriores, com seus erros e acertos, e eu, agora, como pai do José Vitor, com os seus lindos 3 aninhos,  professor da rede pública de ensino, estudante de pedagogia, lhe peço encarecidamente para assumir sua declaração em resposta ao Dória, ao provocá-lo na corrida da vacinação, ironizando-o com a declaração de que adolescente vacinados já é coisa velha, que é bom aguardar...

E as crianças, Dudu?! (2/3)

 



Como concluímos aqui em casa neste tempo de isolamento, a cada conversa sobre o nosso filho voltar ou não presencialmente pra escolinha dele, para o contato com os seus amiguinhos, com o priminho, brincar, bater, apanhar, jogar, fugir, se esconder, enfim, se socializar no grupo, com o grupo, para o grupo, coletivamente isto tudo pode, tem que e vai ser recuperado no tempo devido, entretanto, as sequelas da contaminação pelo vírus tem se mostrado nefastas, senão, irreversíveis.



Agora, com o avanço, ainda que bem mais lento do que poderia ter sido, - devido à irresponsabilidade deste presidente motoqueiro, genocida, que faz vista grossa à corrupção que se aproveita da pandemia, - agora, com os adultos vacinados, são as crianças, jovens e adolescentes os mais expostos ao vírus.

Mesmo não considerando as variantes, a matéria do dia 13/07/2021, assinada por Carla Canteras, no Portal R7,  mostra-se importante ao ressaltar que a imunização do núcleo familiar é extremamente necessária, com as duas doses da vacina, de acordo com os fabricantes, mas, não só: todo o cuidado com a higiene tem que ser redobrado.

Algumas vacinas, dentre elas Coronavac teve o seu uso emer Maigencial aprovado para aplicação em crianças de 3 a 17 anos na China, assim como a Moderna e a Pfizer estão em fase de testes para uso em pessoas abaixo dos 12 anos.

Mas, e por aqui, no Rio de Janeiro, como está o calendário de vacinação?! Não tenho opinião formada sobre o ritmo de vacinação considerando a taxa de transmissibilidade, leitos ocupados e mortes, considerando a bandeira e os dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde, mas, fechar o calendário em 12 anos até setembro, sem expectativa de avançar para as crianças menores não vejo como uma boa prática de planejamento e gestão em saúde pública, ainda mais, pensando que crianças também são vítimas da Covid 19, lembrando que os gestores tem autonomia, dada pela Câmara Técnica, para seguir com a própria estratégia de vacinação.


continua

sexta-feira, 16 de julho de 2021

E as crianças, Dudu?! (1/3)

Hoje acredito que vai ser um dia incrivelmente especial para o José, pois vai ter uma atividade presencial para as crianças que se encontram estudando em casa devido ao necessário isolamento social, no JE Fagundes Varella, cuja proposta pedagógica, atenção, cuidados e comunicação com a gente merece todo o elogio.


Imagens da Internet 

Não só a pedagogia nos ensina, mas a nossa própria história de vida nos mostrou como a socialização foi importante na construção dos nossos laços de pertencimento, identidade e relacionamentos e isto, claro, se refletiu diretamente na nossa educação, formação e aprendizagens diversas.

Aprendemos que o convívio com todos os tipos de diferenças é importante; que o respeito ao pensar diferente nos constitui como seres humanos; que obedecer regras nos mostra os limites das minhas possibilidades e do meu semelhante; que a nossa sociedade exige um comportamento que me faça entender que a colaboração é o cimento social de qualquer agrupamento humano.

Nosso pequeno está em isolamento social, longe de suas amiguinhas e amiguinhos, desde março de 2020 e, de lá pra cá, somente a avó, a madrinha e o dindinho dele é que, apesar do contato através de vídeos, esporadicamente vem aqui em casa o que o deixa muito feliz querendo mostrar tudo o que já sabe fazer.

E, confesso, esta foi uma decisão nada fácil de tomar o que nos levou, a mim e a mãe, e isto depois de muita leitura e conversa com a pediatra dele e o tio, que é médico, além de sua esposa, também pediatra, a optarmos pelo afastamento necessário, imagina, então, diante de mais um aniversário... online..


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Nos esforçamos, neste mais de um ano, a suprir o que somente a escola tem a capacidade de promover às crianças que, no maternal I , soma ao cuidado e brincadeiras, a educação. Sabemos que a ludicidade é muito mais do que aparentam as "simples" brincadeiras. Não é necessário leitura para quem é pai e mãe. Apesar de importante. 

Não falo como educador, tampouco pensando nos fundamentos da alfabetização e letramento, nas hipóteses de aprendizagem, nas etapas de maturação, no sociointeracionismo ou, até mesmo, no construtivismo, mas, somente, no que vivencio diariamente com o meu filho, ensinando, trocando, multiplicando e aprendendo juntos, o que é maravilhoso!


continua

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Os imbecis herdarão a terra.

 Bom dia, pessoal! Para quem se interessa por Análise Crítica do Discurso (ACD) e tem acompanhado a CPI da Covid, o depoimento de Mayra Pinheiro, a capitã cloroquina, no dia 25, me deixou impressionado a respeito de como é possível aproveitar um enorme espaço midiático como palanque, simplesmente, falando exatamente, a uma grande parcela da população brasileira que, por diversos motivos, não dispõe dos esclarecimentos necessários, tampouco, de condições suficientes a fim de perceber as estratégias discursivas para o convencimento.


A análise realizada pela escritora, jornalista e escritora Marilz Pereira Jorge (1972), na Folha de S. Paulo, que segue, exemplifica o perigo que todos nós continuamos correndo com a próxima eleição majoritária, caso não haja esforços na produção de outros discursos, para esta e outras parcelas de eleitores. 

Não creio em revoluções como nas dos séculos passados, tampouco na política institucionalizada, mas, pensando não só no tanto que eu e parte da minha geração lutou e resistiu para que tivéssemos uma Constituição que acreditei democrática, - muito mais por não conhecer a sua funcionalidade na manutenção do status quo -, assim como para garantir algum tipo de freio e contrapeso no modelo presidencialista  de coalizão, quando se encerra a "Abertura Política" (1964-1988), entendo que isto que se autodenomina oposição continua produzindo discursos somente para os seus semelhantes. 

O título deste post é uma paráfrase de uma inteligente constatação do memorável escritor e tricolor Nelson Rodrigues: "Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos."

sábado, 10 de outubro de 2020

Bob Marley, Charles Chaplin e Vin Diesel

O caixa que me atendeu, muito educada e simpática, era uma mocinha negra, uns vinte anos de idade, aproximadamente, com umas tranças de botar o Bob Marley de joelhos! Caiam pelo ombro e, quase até a cintura, não permitiam que o burocrático uniforme das Lojas Americanas despersonalizasse sua  beleza.



Mas, nem deu tempo de elogiar seus dreads - no estilo! -, pois, ao efetuar a operação para pagar umas poucas coisinhas, a máquina não aceitou a operação por aproximação remota, como tenho utilizado bastante, evitando, assim, mais um item em contato com outras superfícies.

Tentando, outra vez, aproximar o cartão da maquininha, a mocinha me disse que não tinha aquela função. 

Em tempos de corona, o melhor é evitar o contato. Mas, fazer o quê?!

Inseri direitinho, mas, logo veio, novamente, a fatídica 

CARTÃO INVÁLIDO

Como assim?! Eu tinha acabado de sair do Lancheiro, ali de frente, com uma pizza de 45 cm dentre outras compras para aquela sexta feira, início de um fds especial, e eu paguei, direitinho, por aproximação remota, com aquele mesmo cartão!

Eu tinha que levar aquelas compras, pois, além das miniaturas de carrinhos para o José e o Davi. ainda havia as barras de chocolate. 

Não é preciso ser um Chicago Boy, da equipe econômica, pra saber da recessão - não é só na Cesta Básica do brasileiro e no selfie service que tá faltando o arroz: no PF e na marmita o nosso preferido tá bem mais escuro.

Não tá fácil pra ninguém: pra gente, pra mocinha do caixa, pro Vin Diesel...

Mas, diante do isolamento social de mais de sete meses, aqueles itens também se revestiam de grande necessidade: hot whells utilitários e Garoto meio amargo. Afinal, depois de tanto tempo afastados, às vésperas do dia das crianças, finalmente, os primos iriam se encontrar e passar três dias juntinhos lá em casa.

Não se tratava de uma simples black friday, mas como tentativa extrema, então, ao reiniciar a máquina, inseri o bendito e...

CARTÃO INVÁLIDO

Tirei da máquina e tratei de limpá-lo na minha camisa, como todo brasileiro esperto que sabe de tudo, desde os atributos milagrosos da cloroquina, passando pelos efeitos imediatos do canela de velho, passando pelos microchips e acidez do café.

Mas, claro que a sabedoria compartilhada vai além do que se sabe: o cartão poderia estar com a sua tarja desmagnetizada e, passando num tecido, poderia resolver. 

CARTÃO INVÁLIDO

A mocinha tinha mais experiência. E sabedoria.

Olhando nos meus olhos, amigável e tranquilamente, com um tímido sorriso naquele rosto de linda cabeleira, a mocinha dos dreads  falou delicadamente, 

Limpa o cartão no seu cabelo e insere novamente. Costuma funcionar, disse, com sua voz de ébano da Jamaica.



Quisera ter as pantomimas do maravilhoso lord vagabundo para demonstrar minha incapacidade em realizar a proeza. Mas, me esforçando para não deixá-la sem graça ao perceber o que tinha escapado ao seu olhar,  meu riso acompanhado pelo piscar de olhos foi o silêncio que faltava para preencher o momento até que, recomposta, me pediu dirigir-me a outro caixa.



Saí da loja rindo demais da situação, e, claro, pensando, como é bom a gente enxergar além de simplesmente olhar. 

Segue a lição pós pandemia.

Prestar atenção, enxergando as pessoas com quem falamos, pode revelar "detalhes" surpreendentes. Afinal, o olhar atento, também, tem outras funções!




*Imagens públicas retiradas da internet cf hiperlinks