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quinta-feira, 22 de julho de 2021

E as crianças, Dudu?! (2/3)

 



Como concluímos aqui em casa neste tempo de isolamento, a cada conversa sobre o nosso filho voltar ou não presencialmente pra escolinha dele, para o contato com os seus amiguinhos, com o priminho, brincar, bater, apanhar, jogar, fugir, se esconder, enfim, se socializar no grupo, com o grupo, para o grupo, coletivamente isto tudo pode, tem que e vai ser recuperado no tempo devido, entretanto, as sequelas da contaminação pelo vírus tem se mostrado nefastas, senão, irreversíveis.



Agora, com o avanço, ainda que bem mais lento do que poderia ter sido, - devido à irresponsabilidade deste presidente motoqueiro, genocida, que faz vista grossa à corrupção que se aproveita da pandemia, - agora, com os adultos vacinados, são as crianças, jovens e adolescentes os mais expostos ao vírus.

Mesmo não considerando as variantes, a matéria do dia 13/07/2021, assinada por Carla Canteras, no Portal R7,  mostra-se importante ao ressaltar que a imunização do núcleo familiar é extremamente necessária, com as duas doses da vacina, de acordo com os fabricantes, mas, não só: todo o cuidado com a higiene tem que ser redobrado.

Algumas vacinas, dentre elas Coronavac teve o seu uso emer Maigencial aprovado para aplicação em crianças de 3 a 17 anos na China, assim como a Moderna e a Pfizer estão em fase de testes para uso em pessoas abaixo dos 12 anos.

Mas, e por aqui, no Rio de Janeiro, como está o calendário de vacinação?! Não tenho opinião formada sobre o ritmo de vacinação considerando a taxa de transmissibilidade, leitos ocupados e mortes, considerando a bandeira e os dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde, mas, fechar o calendário em 12 anos até setembro, sem expectativa de avançar para as crianças menores não vejo como uma boa prática de planejamento e gestão em saúde pública, ainda mais, pensando que crianças também são vítimas da Covid 19, lembrando que os gestores tem autonomia, dada pela Câmara Técnica, para seguir com a própria estratégia de vacinação.


continua

sexta-feira, 16 de julho de 2021

E as crianças, Dudu?! (1/3)

Hoje acredito que vai ser um dia incrivelmente especial para o José, pois vai ter uma atividade presencial para as crianças que se encontram estudando em casa devido ao necessário isolamento social, no JE Fagundes Varella, cuja proposta pedagógica, atenção, cuidados e comunicação com a gente merece todo o elogio.


Imagens da Internet 

Não só a pedagogia nos ensina, mas a nossa própria história de vida nos mostrou como a socialização foi importante na construção dos nossos laços de pertencimento, identidade e relacionamentos e isto, claro, se refletiu diretamente na nossa educação, formação e aprendizagens diversas.

Aprendemos que o convívio com todos os tipos de diferenças é importante; que o respeito ao pensar diferente nos constitui como seres humanos; que obedecer regras nos mostra os limites das minhas possibilidades e do meu semelhante; que a nossa sociedade exige um comportamento que me faça entender que a colaboração é o cimento social de qualquer agrupamento humano.

Nosso pequeno está em isolamento social, longe de suas amiguinhas e amiguinhos, desde março de 2020 e, de lá pra cá, somente a avó, a madrinha e o dindinho dele é que, apesar do contato através de vídeos, esporadicamente vem aqui em casa o que o deixa muito feliz querendo mostrar tudo o que já sabe fazer.

E, confesso, esta foi uma decisão nada fácil de tomar o que nos levou, a mim e a mãe, e isto depois de muita leitura e conversa com a pediatra dele e o tio, que é médico, além de sua esposa, também pediatra, a optarmos pelo afastamento necessário, imagina, então, diante de mais um aniversário... online..


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Nos esforçamos, neste mais de um ano, a suprir o que somente a escola tem a capacidade de promover às crianças que, no maternal I , soma ao cuidado e brincadeiras, a educação. Sabemos que a ludicidade é muito mais do que aparentam as "simples" brincadeiras. Não é necessário leitura para quem é pai e mãe. Apesar de importante. 

Não falo como educador, tampouco pensando nos fundamentos da alfabetização e letramento, nas hipóteses de aprendizagem, nas etapas de maturação, no sociointeracionismo ou, até mesmo, no construtivismo, mas, somente, no que vivencio diariamente com o meu filho, ensinando, trocando, multiplicando e aprendendo juntos, o que é maravilhoso!


continua

sábado, 10 de abril de 2021

E aê, irmão?!


Foi o cumprimento do velho Carlinhos, dono do botequim aqui da esquina, sem camisa, sem máscara, indo abrir o bar, cedinho, ao me vir... de máscara.

- E aê, irmão?!

Será que ele já tomou a vacina contra a Covid? Não tá nem aí? É contrário à vacinação? Sei lá...

Pra mim, eu não via a hora! Nem sei como consegui dormir ainda mais, na esperança de que, para o casamento de minha filha, eu já estivesse com as duas doses tomadas.

Segui para o posto na esperança de ser a Coronavac, do Butantã.



Nada feito! Era da Aztrazeneca.

Voltei em casa, peguei o carro e segui para outro posto, e outro, e outro.

No último que iria, já que hoje seria o dia dos idosos com 64 anos, sábado, fiquei temeroso de terminar a aplicação ao meio dia e, então, só na semana que vem, na repescagem.

A atendente disse que, pelo protocolo do Rio, estavam aplicando, para quem seria a primeira dose a da Astrazeneca, da Oxford/Fiocruz e, para quem fosse  a segunda, da Coronavac! 

Na verdade, não fazia a menor diferença, ser uma ou outra, ainda mais próximo aos 400 mil mortos, sendo que, num só dia, foram de 44 mil, com o   nosso estado batendo novamente o recorde com mais de 250 mil.

Era somente a questão do intervalo entre as doses. Não era por ideologia, muito menos pelo medo de virar comunista ou jacaré. Pelo menos, não tinha esta advertência nas bulas de nenhuma das duas.

Entreguei a caderneta de vacinação e a identidade enquanto aguardava - aquele posto estava vazio! - na recepção, claro que, com duas máscaras e passando álcool gel o tempo todo nas mãos.

Entrei.

- Está tudo bem? a técnica de enfermagem amavelmente me perguntou.

- Não podia estar melhor! Ainda que sabendo que a segunda dose seria só daqui a três meses, eu havia sobrevivido, ao projeto genocida do residente em Brasília, que se esforça no darwinismo social. Seria o quinto dos Roitberg a ser vacinado.

Nestes tempos estranhos, o jogo no campo dos adversários encontra geraldinos, arquibaldos, bêbados e equilibristas como imagens ingênuas diante da ignorância, inconsequência e insanidade, de quem zomba da morte, a maioria, sem máscara e alguns poucos, com a máscara no queixo ou passeando com ela na mão, como cestinha, para colocar dentro do supermercado cujo uso por aqui - e no mundo! ainda é obrigatório.

A despeito deste walking dead tupiniquim eu não poderia estar me sentindo melhor.

Apenas pedi que a outra atendente, dentro da sala de aplicações registrasse pra eu mostrar pro meu filho.



De máscara, retirou o frasco do isopor na minha frente, e me mostrou para eu conferir e, didaticamente, me falou dos 0,5 ml da suspensão injetável e do lacre o que, claro, que eu já havia conferido. Mais ainda, eu havia pesquisado o rótulo de ambas, assim como lido suas bulas, antes em casa. 



É que o momento exige comemoração... com tira gosto e cerveja gelada! Fazia calor aqui no Rio. 

Nada feito... em 24 horas, pelo menos de bico seco, apesar de não constar esta informação nas bulas é o que dizem os infectologistas sobre a pós vacinação.


Tirando uma seringa da embalagem na minha frente e me mostrando a quantidade retirada do líquido da ampola, tive a certeza que, naquele momento, estava recebendo, bem mais que o apoio às ciências lá da Inglaterra, monarquia parlamentarista e o empenho da China, república popular socialista  unipartidária.

Era, sim, o resultado de um trabalho sério e comprometido, das nossas pesquisadoras da Fiocruz, do Butantã, dos centros de pesquisas universitárias brasileiras, quebrando muralhas, enfrentando além do vírus, outro inimigo tão letal quanto!

Delas e deles, sim, tenho tanto orgulho assim como do SUS e do empenho dos servidores públicos envolvidos e dedicados na luta contra a pandemia a despeito do negacionismo e de todas as tentativas e esforço para atrapalhar.

Mas, claro, não me esquecendo das centenas de milhares que não chegaram a ter aquela oportunidade. Estava feliz, sim! E iria mostrar as fotos, orgulhosamente, para o José assim que chegasse em casa.



Seringa vazia e coração repleto de esperança de que outras pesquisas deem conta das novas variantes com a ciência lutando contra a falta de incentivos, perseguições aos cientistas e cortes de financiamentos. 

Novas cepas gestadas neste solo fértil, laboratório e incubadora, pátria amada Brasil.


- Viva o SUS! Falei para a enfermeira ao me despedir.

Peguei minha caderneta devidamente anotada, já com a 2ª dose agendada para julho, higienizei as mãos e parti mercado. 

De máscaras, claro!

Carlinhos, alegre, no seu botequim, seguia servindo outro álcool, aos rapazes e moças naquela manhã ensolarada no Rio de Janeiro.

- E aê, irmão?!