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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Diário, 7ª semana 7.8 - A Meia Maratona de Angra dos Reis (Episódio 07/23)


Nesta última semana de treino, eu estou saindo hoje, às 6:44, em pleno domingo de carnaval, estranhando  gravar e correr ao mesmo tempo. 

Passo por  muita gente fantasiada,  talvez, voltando pra casa da festa madrugada a dentro saindo para o Carnaval. Neste clima do Reinado de Momo, a gente ainda deu uma saidinha ontem, - eu, minha esposa e nosso filho: fomos numa festinha,  um bloquinho de crianças, lá na Pedra de Guaratiba a convite do dindinho do  Zeca.

Encerro esta semana com o último mesociclo, e início do última, ainda com a ideia de redes nas minhas reflexões. É que quando eu corro,  penso em muita coisa e em nada ao mesmo tempo, para não ficar sufocado ou voltar para o foco de vez em quando - que é bom, também!,  pensando e falando alto, na verdade.  

Já passei por duas moças de moto fantasiadas de diabinho; um rapaz, também; algumas igrejas abrindo agora, mas o movimento não é normal. Não é o movimento dos  domingos: muito automóvel circulando e eu completando 1 km agora, bem abaixo do meu ritmo. 

É que eu estou gravando direto no blog pela primeira vez querendo saber como  acontece um registro, em tempo real, inspirado nos relatos em tempo real do corredor e romancista, Haruki Murakani. Até então,  o máximo que eu fazia era, ao chegar em casa, escrevia algumas palavras para não perder as ideias para, depois, transformar em texto.

Cinco minutos correndo e eu a
 8.2 km/h o que não me surpreende, já que eu começo sempre assim mesmo, acima de oito. A partir de agora, o ritmo vai sair daquela inércia e crescer.  Já comecei a tentar convencer o meu corpo que correr é gostoso (rs),  nisto, quase tropeço num quebra-molas e penso que tenho que prestar atenção.

Quase chegando ao Coreto, passam alguns rapazes dentro de um carro, me chamando de atleta: o ego vai lá pra cima e sorrio. 

Chegando aos  10 minutos de corrida, pace  ainda acima de 7, mas sei que estes 18 km valem como um teste para Meia de Angra, na semana que vem. Um check up de como estou funcionando. Contorno pela Colônia dos Pescadores e passo em frente à Marta - : o melhor peixes de Sepetiba! - , e lhe dou um bom dia. 

Em frente à Igreja de São Pedro, a rua, como previra, já está intransitável, até para pedestres. É que houve show da Prefeitura, com palco na Praia de Sepetiba e os foliões ainda estão por aqui.  

Para prosseguir, só contornando pela lateral ou pela areia da praia, passando por trás do movimento: melhor opção! e, então, completo os 5 km da Orla, subindo em direção à Estrada São Tarcísio.  

Quase no retorno, mais um bom dia para uma moradora, varrendo sua calçada,  que me responde dizendo que o meu bom dia tinha soado muito agradável.

Mantenho o ritmo no final da subida, antes de contornar pela São Tarcísio: 9.3 km por hora quase 7 km de velocidade já na estrada e acho que consegui convencer o meu corpo a se movimentar. Não lhe dou outra alternativa. Se não for isso, é paralisia! Não quero isso, de jeito nenhum, porque, só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida - repito como mantra.

 Descendo a Estrada, saio em frente à Yemanjá,  no Recôncavo e  ao retornar, sei que não posso seguir até o começo da praia,  porque a aglomeração certamente estará bem pior.

Dou a volta por trás da praça Oscar Rossini,-  circuito dos 5 km regenerativos,  de segunda-feira - e, de lá, sigo pela Rua Floresta e passo por uns rapazes já se preparando para o futebol de fim de semana com suas camisetas se time. O campo está muito bem cuidado assim como toda a praça.

Sigo até a Rua do Canal -  Avenida Dr. Ari Chagas - e retorno pela praia indo até o seu final,  mas mantendo o ritmo: sempre acima dos nove por hora -  bem agradável !

Já de volta na praia do recôncavo, passei por um casal que sempre encontro, na praia de Sepetiba e hoje, mais uma vez, regavam as plantas da orla! Bela atitude! Eu digo. 

Mas, claro que há moradores aqui que não só tem consciência,  preservando, ou cuidando das plantas, pois, a Prefeitura não dá conta. O homem me responde ao bom dia e percebo que ele com uma garrafinha molhando aquele canteiro, ainda mais no calor que está fazendo, com o ar muito abafado, me fazendo suar bastante. Olho o céu acima do mar e vejo que está nublado e sinto uma lufada de vento 
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já na metade da cota, prestes à subir a Abílio Teixeira de Aguiar, pensei no pessoal da limpeza trabalhando em frente ao Pirata's que me responderam ao meu entusiasmado "bom dia!". Então, decidi ir até o final da orla quando completo 13 km. Na volta, eu faço mais cinco para completar  os18 km e isso tudo para evitar tanto movimento lá no Coreto e evito a subida da Estrado do Piaí, sem precisar retornar pelas ruas laterais, por dentro.

Eu acho bem melhor e até já estou chegando aqui no final da Praia do Cardo já quase nos décimo segundo km senti uma leve dor no diafragma, -  sinal de má respiração! - talvez, porque eu estou falando eu filmando ao mesmo tempo e muito mais preocupado com o rendimento que distância a cumprir nestes últimos 18 km, o último longão antes da Meia de Angra. Até o momento, tudo tranquilo com 13 km percorridos,  dentro da minha meta de treino. 

Como é que um longão, como esse aqui, está cansando menos do que os 15 k do Circuito do Sol? Estou desconfiado que seja mais pela tranquilidade de um treino que suplanta a competição natural  de uma prova, vendo todo mundo correr.  É lógico que, dentro daquela multidão somos obrigados a correr e competir. Parece que foi esse um erro estratégico no Circuito do Sol. Mas, aqui não acontece isso, é apenas o meu treinamento para a maratona do Rio de Janeiro, fazendo minhas medições e rendimento.

Se eu encontrar os cachorrinhos e lá no final na Rua Nunes, retorno pela praia e faço uma nova medição da pulsação para ver os batimentos cardíacos depois da velocidade máxima atingida, quando eu acelero um pouquinho, aproveitando, também, para escapar das dentadas no calcanhar e conseguir os batimentos necessários. Mais um "bom dia!" e, lá no final dessa rua deliciosamente arborizada, uma curvinha e eu, já acelerando, quase que ofegante para conseguir o máximo de pique, vejo que não há nenhum cachorrinho nervoso, mas, memo assim, acelero do mesmo jeito, até chegar, novamente, à praia do Cardo. Atingindo a velocidade máxima correndo, decido checar os BPMs depois.

Hoje não fui até o final da praia de Sepetiba, porque está tá muito cheia, além de que estou com sintomas de resfriado e tenho que me cuidar nesta última semana antes da minha. Daqui em diante, só me resta, na quarta-feira de cinzas, correr, na quarta-feira, os meus 10 km leves e descansar para viagem na sexta-feira. Ficar em casa com um moleque na piscina é um outro atrativo tão bom quanto cuidar desse resfriado. 



Concluí muito bem este último longão e, já em casa, agora, a gente está assistindo, na sala, um desenho desenho animado novo que a gente descobriu:  o tal de aumirau - muito gostoso! -  sem nenhum motivo para sair hoje de casa e, bem preguiçoso: acordei lá para as 6:30, porque a gente ficou vendo desfile das escolas de samba. Então, eu troquei o regenerativo para ficar dentro de casa. Saímos da piscina agora e estamos assistindo na TV o que a gente descobriu. Aproveitei para fazer uma playlist com todo o registro deste treinamento

Ana Paula, na cozinha, fazendo almoço, pois trocou o dia comigo, sem problema nenhum, até porque eu achei que estivesse desenvolvendo uma dorzinha na sola dos pés e fiquei desconfiado de alguma lesão:  e,  numa semana que não dá para arriscar nadinha, tem que ficar no sapatinho mesmo. Fiquei, então, na piscina hoje de manhã com meu garoto e depois a gente descansou para ver, agora, o filme Os Incríveis, na televisão. Ainda fiz uma crepioca com recheio de ricota e ora-pro-nóbis. Agora vamos tomar uma vitamina neste dia tranquilo.


21/02/2023

Hoje,  terça feira, 17 hs, estou esperando a temperatura baixar para, de noite, fazer o meu fortalecimento muscular semanal. No almoço de hoje eu fiz um arroz integral com um peixinho de horta que eu fritei na AirFryer, mais batata souté e quibebe. Sem nenhuma modéstia, ficou muito gostoso e agora tomei um iogurte, já quase 5 horas da tarde, sabor natural com aveia e banana. A temperatura está muito quente em por isto, ainda de férias e em pleno carnaval, fiquei na rede,  aqui fora de casa, esperando baixar a temperatura, lembrando que hoje à noite tem fortalecimento muscular.

Parece que a gente vai dar uma saidinha, porque ontem não saímos para tomar um açaí, como combinamos com o José. Agora, eu vou na padaria comprar uns pães para fazer um "not dog" (versão vegana do hot dog) de noite. Foi muito bom ficar esses dois dias em casa, ainda mais nesta época do ano, com todo o típico movimento do carnaval e, também, pela minha desconfiança dessa dorzinha no pé esquerdo. Pode ser que não seja nem no pé, mas, sim, na cabeça. É que estou muito ansioso pela meia de Angra, e já estou terminando a 7ª semana de treinos, partindo para a 8ª, a final de todo o ciclo de treinamento, 

Então, é claro que não dá para descuidar dos menores detalhes. E, para relaxar, ontem eu consegui assistir três escolas de samba no desfile pela televisão, inclusive a minha Portela, que estava linda apesar dos deslizes cometidos. A Nair, esposa do Joel, minha amiga, me mandou umas filmagens do bloco da Ludmila. 

Amanhã é dia dos meus últimos 10 km, que deveriam ser fortes, mas vou fazer no meu jeito, no meu ritmo habitual, tomando cuidado com qualquer tipo de acidente, porque não dá para descuidar, de jeito nenhum, gente! Mas, voltando da padaria penso se tem coisa melhor do que um pão quentinho para passar uma manteiga? Caraca, não quero nem saber que tipo de carboidrato é esse! Eu sei que é bom demais e se acompanhar um pingado, é melhor ainda. Estou voltando para casa aqui da padaria da esquina neste último dia oficial de carnaval, sabendo que o carnaval aqui no Rio vai até o domingo, tendo programação de bloco até domingo. Penso nesta tal programação oficial e que estranha é essa que termina e não termina.

No final de semana, eu vou ver como é que é o carnaval lá em Angra, pois, há anos saímos de lá eu estou por conta da dos meus irmãos e irmãs baianas que vão me receber e ainda tenho que resolver o pernoite, pois que a prova começa cedinho e  não sei como é que é condução no Perequê, onde pretendo ficar. Ainda bem que eu tenho opções no centro de Angra. 


23/02/2023

Ontem, quarta feira de cinzas, fiz os meus últimos 10 km deste ciclo de treinamento que termina com a prova de domingo e aproveitei para experimentar fazer uma gravação de vídeo com transmissão ao vivo para ver a capacidade do meu celular que, para minha surpresa, se saiu melhor do que eu esperava: depois de quase duas horas usando aplicativos, filmando e fotografando, ainda havia carga na bateria.

Fiz o mesmo circuito da orla e pude, inclusive, retornar pelo Coreto já que toda a movimentação do Carnaval havia terminado, inclusive, com as ruas limpas. Quase chegando em casa, na Avenida do Canal, um folião saiu de um pequeno grupo e veio me acompanhando brincando ao meu lado. Eu dei um bom dia entusiasmado pra ele e e ele voltou com o seu copinho de cerveja par o grupo.

Em casa, relaxei muito com meu filho que só hoje volta à escola assim como eu. Depois pego mais informações nas filmagens para completar este relato, porque, a partir de agora, apenas vou fazer o fortalecimento muscular quando voltar do trabalho e organizar minha viagem para Angra na sexta feira, dia 24.

Ontem, 23, sem me lembrar que o Carnaval termina no domingo e que, nunca houve aula na quinta nem na sexta feira da semana do Carnaval, apesar de não ter sido dado ponto facultativo, fui até a escola trabalhar e, claro, dei com a cara no portão fechado. Voltei para casa e, de tarde, levamos o José para o balé, que também não houve porque o  professor não conseguiu transporte. Esperamos um pouco na porta da escola e deixamos o José para o karatê. Enquanto ele treinava, fomos ao mercado, deixamos o açaí que compramos em casa e voltamos para pegá-lo. À noite, apenas fiz o fortalecimento muscular em casa focando no core, cochas e braços com prancha, agachamento e barras. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Diário, 6ª semana 6.8 - A Meia Maratona de Angra dos Reis (Episódio 06/23)

O CIRCUITO DO SOL E O CARNAVAL CARIOCA:   ensaio técnico embaixo de chuva 

Minha planilha de treino para a Meia Maratona de Angra dos Reis, necessitava de  algumas adaptações para eu participar de uma prova no último mesociclo de teinamento: o  Circuito do Sol que, segundo os organizadores, a O2 chegaria ao Rio depois de ter acontecido em São Paulo. A publicidade no site afirmara que aquela corrida de rua "mais popular do Brasil" trata-se de uma prova de recomeço e retomada dos treinos e, claro que me interessei em me inscrever, ainda mais, que era mais uma das atividades da minha associação, a Appai-RJ.



Uma boa oportunidade para  corredoras e corredores com pouca ou nenhuma experiência de corridas de rua - dizia o site. O momento de colocar em prática a resolução de ano novo. "Para os corredores experientes é o start de uma nova temporada." Uma prova destinada a iniciar o ano com saúde e qualidade de vida. 

Nesta edição, houve competição para as distâncias de 5k, 10k e 15k, sendo que aconteceu,  também, uma caminhada de 3k, para quem estivera treinando nas pistas, amplificando o podium e o entusiasmo na entrega da premiação.

Então, o que eu esperava daquela prova a não ser um baita calor típico da orla de Copacabana no verão e alta umidade relativa do ar? Seria melhor,  então, me preparar para o pior, apesar de que a organização resolvera  antecipar a partida para as 7hs30m, certamente, depois de consultar o boletim meteorológico para o próximo domingo.

Nem seria preciso ler as dicas no site para se hidratar bastante, passar protetor solar e correr com trajes leves: a experiência já nos ensinou tudo isto, morando num lugar em que a sensação térmica tem passado dos 50º.

Só que não foi nada disto. Muito pelo contrário: pra felicidade geral, uma frente fria e muita chuva na noite de sábado baixou bastante a temperatura e corremos num clima muito agradável. 

Bem que eu até estava torcendo por uma chuvinha porque o meu rendimento é bem melhor, ainda mais se  os organizadores tivessem mantido o circuito da orla da praia de Copacabana.

Corremos o mesmo circuito da Nigth Run que eu havia participado em 2022, com saída na Praça Cuahtemoque, no Aterro do Flamengo e chegada na Glória o que facilita demais o transporte público.
No máximo, o que eu desejava era manter o meu ritmo e, se pudesse, baixaria um pouco para a Meia de Angra, 15 dias depois. Mas, o acaso colaborou comigo e eu consegui ir bem além da minha pretensão e metas de treinamento. Fui o 5º colocado na minha categoria! Tem menos idosos adultos competindo em longas distâncias ou, realmente, o treinamento começa a dar resultados?! Não dá para generalizar apenas numa prova! Vou continuar, claro!



https://adm.ativo.com/certificados_dos_eventos/ev38538np6701.pdf

Ainda mais que, desta vez, como enorme diferencial qualitativo, pude contar com uma logística benfazeja, pois, como eu consegui adiar alguns compromissos a tempo, saí de casa logo depois do almoço no sábado e fui direto de trem até a Central do Brasil,  no centro do Rio para pegar o meu kit no prédio da Appai logo na saída do metrô do Largo da Carioca.

Morando distante dos lugares de provas, a questão do transporte, principalmente aos domingos, é uma preocupação constante o que me obriga acordar de madrugada, ir ao banheiro, me alimentar devidamente,  para não me atrasar e perder a largada. Depois de horas de viagem, chegando no local, preciso, rapidamente localizar o staff da Appai, o guarda-volumes, o posto médico e me situar no início do meu setor de largada, o verde. 

Excetuando a vontade de ir ao banheiro, a necessidade de aferir pressão e BPM, amarrar os cadarços, checar o chip no número de peito, acionar o app de registro no celular, claro que resta a preocupação de ter esquecido alguma coisa. Mas, o meu esforço em me organizar, até o momento, tem funcionado!

O clima do Carnaval carioca foi o que serviu para distensionar tudo isto, pois, a ocasião sempre me lembrou coisas legais, desde a minha infância em Copacabana e não seria diferente, na semana da festa de Momo. Mais ainda, ao chegar no Castelo, centro do Rio de Janeiro e passar pelos Arcos da Lapa, ver foliões, bate bolas, a barraca do acarajé da Cida,  o Galeto e churrasquinho na esquina da Chile. 

O multiculturalismo e a sinestesia misturam  sensações nesta época integrando outras tantas  como a da turista asiática: afinal com que prazer exótico aquela  moça de olhinhos puxados saboreava, com um enorme sorriso no rosto,  um suculento espetinho de carne. 

Na Appai-RJ,  depois de entregar minha doação - uma lata de leite em pó - e retirar o kit, passei na "Loja do Corredor ", gosto de fazer, muito mais pra ver as novidades que pra comprar, e,  desta vez, conversei com o dono sobre as meias de compressão. 

De lá, novamente peguei o metrô e, saltando na estação Praça Onze,  caminhei até a casa do meu brother, ainda no final da tarde que já anunciava fortes chuvas.

Fui logo recebido com muita alegria, latidos e miados, do Junior e  do Romeu, novidade na família, depois de uns copos de Amstel "suada" e uma porção torresmo quentinho e crocante, daqueles que carioca raiz, de botequim, adoramos.

Colocando as novidades em dia, ouvindo as músicas dos anos '70,  que tocávamos em nossa banda de adolescente, mais o coover da Beyonce - não conhecia o emocionante tributo ao Led Zeppelin! -   eu, Joel e Nair, sua companheira, nem pensei duas vezes quando ela me disse que  havia sido convidada para assistir ao ensaio técnico da Escola de Samba Unidos da Viradouro, naquela noite. 

Oras, o Sambódromo fica a alguns poucos metros atrás da casa do meu amigo e, claro, logo, colocamos nossas capas de chuva,  protegemos celulares e documentos em sacos plásticos e, como Joel não quis sair de casa, saímos, de chinelos, eu  e sua companheira.

Foto do autor. 

Depois do ritual da lavagem da pista pelas baianas, assistimos ao teste de som e de luz e,  em seguida, o desfile das madrinhas de bateria, Sabrina Sato e Erika Januzi e assim que a primeira escola entrou na pista,  caiu um verdadeiro dilúvio. Era Oxum abençoando!, eu disse pra Nair, literalmente, sambando debaixo de uma chuva torrencial enquanto nossos chinelos botavam arrastados pelo aguaceiro.

Não sei e nunca consegui aprender a sambar, mas me diverti bastante embaixo d'água e quando o temporal acalmou um pouquinho, ainda conseguimos tirar algumas fotos daquele show maravilhoso da Unidos de Vila Isabel, com sua efusiva madrinha de bateria, Sabrina Satto, fantasiada de noiva, aliás, muito popular e carinhosa com a plateia que a aplaudiu bastante. 

Outra artista, Erika Januza, madrinha da Unidos do Viradouro, sambando muito, na  pista da Sapucaí molhada, debaixo daquela chuva torrencial, que banhara todo o Rio de Janeiro, também roubou muitos aplausos da plateia encharcada, nas arquibancadas do Sambódromo,  naquela tarde de muito calor, comum no verão carioca.

Como o intervalo entre uma escola e outra estava demorando muito e arriscava cair outro temporal, resolvemos não assistir à Viradouro, exatamente a escola da amiga de Nair, voltamos pra casa, depois de uma ducha, jantei e logo me recolhi para deixar tudo organizadinho, como sempre faço, pra manhã do dia seguinte. 

Acordei bem cedinho, comi um ovo com pão e passei café. Achei muito bom que no ônibus que eu peguei pro Aterro do Flamengo também entrou um rapaz com camiseta e número de peito. Um forte indício que estava no ônibus certo, e a certeza que não erraria o ponto onde saltar: num evento como este, qualquer erro pode ser fatal.



Cheguei meia hora antes e ainda não havia muita gente no local da largada. Fui para o meu setor, o verde, e procurei logo medir minha pressão no posto médico: 14 x 8, e xxx BPM. Tirei algumas fotos,  mandei para as minha filhas e minha equipe e tentei localizar meu colega e parceiro de equipe, o Paulo, mas, não consegui encontrar com ele, apesar de termos nos comunicado onde estávamos: coisas de corrida....

Foto do autor.

Assim que abriram o acesso, tratei logo de ir para a frente, pra evitar o tumulto da largada - o que nunca havia conseguido fazer, até então! - e, o acaso fez com que eu ficasse exatamente ao lado do Johny que me cumprimentou com o mesmo sorriso de sempre, antes de soar a buzina. Uma música eletrônica nos animava e dava o ritmo do aquecimento.

Foto do autor.

Acertei o meu aplicativo e saí no meu passo habitual. Mas, por erro de estratégia ou de empolgação, danei a acelerar mais do que o planejado - e treinado! - e, até o 8º km, já tinha chegado à minha maior velocidade de treino o que me exigiu uma maior atenção, pois, no que planejara, somente depois do 10 km, poderia voltar a acelerar e, mesmo assim, bem aos pouquinhos para guardar o gás para os últimos quilômetros. A ideia era acelerar ao máximo nos últimos 2 km. Mas, não foi bem assim, pois me desgastei muito logo no começo da prova.



Ainda perto do 10º km, notei que um dos meus tênis estava mais folgado e até pensei em continuar sem parar para apertar o cadarço, mas, o bendito resolveu soltar! Saí da pista e,  no acostamento, embaixo das árvores, parei alguns segundos para amarrar, mas, somente daquele pé, o que não achei uma boa escolha, pois, a tendência, se fosse uma prova de maior distância, seria que o outro, também, se soltasse.

Voltei à pista e, tão logo recuperara o meu ritmo, a visão de uma pessoa caída na pista lateral, no retorno,  me impressionou e descuidei do passo:  era um jovem corredor deitado no asfalto, sendo socorrido por policiais e alguns corredores ao seu lado. Como, do ponto  onde eu estava, meu campo de visão me fez desconfiar da semelhança com o Johny, com quem eu mal acabara de falar  pois, até o rabo de cavalo era parecido! Não havia necessidade de parar e nem tinha o que fazer a não ser continuar a prova até o final.

Mas, mesmo sabendo que a pessoa já estava sendo devidamente socorrida, aquela incômoda e preocupante sensação continuou comigo durante um bom tempo até que eu voltasse o foco para "escutar o meu corpo", conselho do meu amigo, alguns minutos atrás.

Claro que não era ele!, soube logo depois que cruzei a faixa de chegada,  e sentei na grama, pra  relaxar da prova e me ajeitar com os brindes e a linda medalha que eu ganhara na chegada: ainda me hidratando e tomando um dos energéticos,  recebi um abraço de surpresa e Johny,  efusivamente,  me cumprimentou. Tamanha alegria de saber que ele fizera uma boa prova, tranquila, sem percalços, nem me lembrei de voltar ao posto para aferir a pressão e a pulsação, o que venho fazendo em toda prova e treinamento de longa distância o que fiz somente dois dias depois da prova. 

Há coisas bem mais importantes na vida e além de ter eu completado mais uma prova, devidamente planejada não perdi o histórico e reforcei laços de amizade.

Não poderia deixar de registrar algumas falhas,  também , na posterior avaliação da prova, solicitada pela Appai: naquele mesmo dia, aconteceu uma outra prova, organizada pela mesma empresa, a O2, também constante no calendário da Appai, o Divas Run, o que fez a associação decidir deslocar todo o staff  para o lugar onde ocorreria aquela prova, Recreio, incluindo - infelizmente!- a tenda de massagem.

Diante dos resultados, entendi ser este o treinamento ideal, ao menos para aquela prova, a Meia de Angra, podendo, inclusive, repetir o meu rendimento, e,  pode ser que os próximos 18 km,  de domingo agora, dia 19, seja o decisivo, para medir o meu pace, pois, nesta prova, tive uma enorme surpresa com os exatos 6:04 aferidos pela empresa organizadora do evento.

Em nenhuma das minhas corridas anteriores havia experimentado uma dieta tão diferenciada, no dia anterior à prova, pois, na casa do meu amigo, me alimentei basicamente de outro tipo de proteína diferente do meu consumo na minha casa: na noite anterior, Nair nos serviu torresmo com cerveja,  e, no dia seguinte, churrasco a tarde toda regado à cerveja. Apesar de não ter o hábito de beber cerveja pilsen - gosto comum dos amigos do Joel - porque acho muito leve, a Império me agradou. Mas reafirmo o meu gosto: prefiro as mais fortes, do tipo duplo malte!

Claro que não foi só a alimentação! Descanso, horas de sono, proximidade do local de largada, relaxamento, rever pessoas queridas, festejar a vida, conversar com as filhas, com o irmão querido, beber e comer com amigos de adolescência, brincar com o gatinho e o cachorrinho do Joel, subir na laje e ver o Cristo atrás do Sambódromo, passar por lugares de tão ternas lembranças e recordações, pensar num futuro alegre e gostoso para o meu filho, correndo ao meu lado, alimentar a esperança de, um dia, motivar outras pessoas, também queridas, a aproveitar o melhor que a vida tem a oferecer, que é tão simples e pede tão pouco...
Foto do autor.

Como eu tinha uma consulta marcada para o dia seguinte, uma segunda feira, o melhor seria não retornar pra casa no domingo mesmo, como eu sempre faço, mas, sim, ficar num lugar mais próximo daquele importante compromisso - a fila do SUS ainda está muito demorada!

Apesar de ter acordado cedo, infelizmente, perdi o compromisso, mas, ainda bem que consegui reagendar para a mesma semana, inclusive, tudo transcorreu bem melhor do que eu imaginara! A isto ainda somo que aproveitei minha estada na casa do Joel para resolver uma importante pendência do nosso carro ali bem pertinho, num posto do Detran. 

Apesar da febre, que até o momento, não quer ceder no meu filho. Apesar da saúde abalada e preocupações diversas de minha esposa, o Universo continua colaborando comigo e com as pessoas que eu amo e tenho que aproveitar este momento pois, tenho a certeza de que tudo é inconstante e não demora o pêndulo voltar para o outro lado. Doenças não dão em pedras. Lesões fazem parte do nosso cotidiano. 

Claro que teria de sacrificar o meu treinamento para a Meia de Angra, assim como é justo e necessário eu, também priorizar outros compromissos, além dos cuidados com a minha família, as outras pessoas que eu amo e aquelas com quem convivo em harmonia: as aulas já se iniciaram e o começo do ano letivo pede outras demandas de trabalho e com os meus colegas. As férias, infelizmente, terminaram...

O Circuito do Sol, em pleno verão, assim como o Circuito das Estações, início do outono, enquanto metáforas do tempo da renovação e da transição,  tentam nos ensinar isto a todas e a todos, principalmente a nós, corredores e corredoras. Volto a reafirmar a mim mesmo que o desafio é a harmonia e tentativa de superação em todas estas situações e eventos, em todas as estações da vida. A  dor é inevitável. O sofrimento é uma opção! 




domingo, 22 de janeiro de 2023

Diário, 3ª semana 3.8 - A Meia Maratona de Angra dos Reis (Episódio 04/23)

O registro mais fiel da mais importante prova de nossas vidas

Corredores de longas distâncias e, no meu caso, em preparação para correr outras maratonas, acabam desenvolvendo uma relação muito íntima e solidária com o Tempo e o Ser. 

Tanto guardo um enorme respeito pela passagem do tempo, como pelos parceiros de treino, já longevos como aquele senhor, caminhando em passos rápidos, com uma camisa do Botafogo, time de futebol do nosso estado, assumindo e estampando sua condição de veterano escrito nas costas. 

É mais do que isto! Eu entendo e, passando por ele, o cumprimento com um sonoro entusiasmado "Bom dia, Mestre!"

O Tempo é um desafiador para os seres humanos. Tanto quanto a compreensão de sua estrita relação com o Ser: é ele quem determina nossos objetivos e limita nossas possibilidades. 

Olhando as minhas fotos ainda rapaz, atleta e corredor, as marcas da idade não ficam apenas na aparência: nossa performance tem uma brusca perda de rendimento e qualidade, para muitos, depois dos 50 anos.

Quando me aposentei, no documento de concessão do meu direito trabalhista, o registro da minha estimativa de vida me impressionou bastante. Mais ainda ao nascer o meu filho, e isto depois dos 60 anos, há muito aposentado, e correndo mais de 100 km por mês, me fez relativizar aquela sinistra estatística. 

Por um milagre biomecânico, meu desempenho nas corridas de rua, aos 65 anos, é  superior ao daquele jovem rapaz quando completou sua primeira maratona em quase 5 horas, quando o limite em provas como a Maratona de Florianópolis delibera para o tempo limite para o ingresso no ranking brasileiro de maratonistas, idades entre os 65 anos e 69, o tempo abaixo de  4h:40m. Minha pretensão  - é treino para isto! - é completar a próxima maratona em 4h30,  no máximo. 

Não reclamo do problema de coluna lombar há mais de 20 anos, tampouco de uma lesão por esforço repetitivo, no ombro direito  e de um pequeno incômodo nos dedos das mãos, além de uns resquícios de varizes na parte anterior do joelho esquerdo. 

Noto que estes sintomas tem me incomodado muito menos ao retornar às corridas introduzindo os exercícios para o fortalecimento muscular. A consulta a um ortopedista esportista não prescreveu o uso de medicação, apenas exercícios de correção postural e alongamentos constantes diariamente. Também não tenho necessitado mais da fisioterapia. 

Claro que, ao final de uma longa corrida, as mãos miraculosas das massagistas do setor vip da organização valem tanto - ou mais! - que a certificação pela conclusão e a tão desejada medalha. Depois da checagem médica e do banheiro químico, meu primeiro olhar busca pelas tendas da Appai, como um viajante, no deserto, anseia por um oásis. Ainda que não queiramos, depois da passagem de tanto tempo, de comemorar tantos aniversários, acordar sem sentir dor seria mais do que um milagre.

Guardamos uma sensível intimidade com o tempo e o controle da nossa velocidade de tal forma que as batidas do meu coração, que em repouso bate lento a 55 BPM, dificilmente passa dos 70 BPM moderados, chegando ao máximo de 90 BPM, já no final de um treino de 10km tendo corrido cerca de 60 minutos.

Para uma corrida acima dos 21km - as meias maratonas - como treino progressivo, para não terminar pior do que comecei, a cada 5 km após os dois ou três primeiros quilômetros, quando já ultrapassei os 8 km/h, diminuo de 10 a 20' chegando, nos últimos 5 km finais aos 6.20/km, como aconteceu no longão que, por um desvio errado já na reta final, acabei ultrapassando a meta, fechando 16,4 km em 1h40m.

Tanto o ritmo da minha respiração, que vai do leve ao moderado chegando ao intenso, me ajuda a precisar o meu pace. E isto, sem consultar o cronômetro!

Os relógios dos corredores são instrumentos de alta precisão cuja indústria vem se esmerando em entregar o máximo de fidelidade na cronometragem, no posicionamento e outras funcionalidades esportivas.

Tudo para garantir o exato registro do desempenho, das conquistas dos atletas profissionais e amadores, assim como os corredores de rua.

Mas, o registro mais fiel do início e do final da maior e mais importante prova de nossas vidas é o intervalo entre a alegria de um nascimento e a tristeza da morte, para quem desacredita no movimento  e no ciclo de nascimentos e de renascimentos, como pequenas, média e provas de longas distâncias, vividas, em cada oportunidade, de maneira mais intensa.

Sou o irmão caçula de uma família com apenas um irmão dos meus outros dois, já falecidos, assim como nossa mãe e nosso pai. Ou seja, sobramos apenas nós dois dos Roitberg daquela geração, afora os outros filhos que nosso pai teve em segundas núpcias. 

A morte de minha irmã, Marinaila, há um ano, não só nos encheu de tristeza como me proporcionou uma experiência até então não vivenciada em toda a minha vida. Como ela faleceu no hospital, vitimada por um câncer fatal, seu corpo foi removido para o necrotério e alguém da família precisaria fazer o reconhecimento do corpo.

Acompanhei sua filha - e minha afilhada - naquela prova definitiva da face mais grotesca da morte, que transcende as certezas e incertezas sobre a efemeridade das coisas, de tudo

Leio no meu livro de cabeceira "Correr: o exercício, a cidade e o desafio da maratona", o que o Doutor Drauzio Varella me ensina: 

É tão grande a dificuldade de aceitarmos que a vida pode ser extinta aleatoriamente como a chama de uma vela, que diante dessa eventualidade procuramos razões para atirar na pessoa a culpa pelo fim que lhe foi reservado: "Ah! Mas ele bebia"; "Mas era muito deprimida; "Mas tinha perdido a vontade de viver!". Encontrar justificativa para o desenlace fatal do outro explica o inexplicável e nos deixa com a impressão de que estamos a salvo. (2015, p. 22)

A decrepitude e a perda de traços humanos na face de um defunto e, pior ainda, de uma pessoa tão amada, que viveu intensamente como a minha irmã, a "maninha". Sinto não ser mais chamado de "meu caçula" por aquela pessoa tão solidária, com tamanha vitalidade e energia para viver intensamente.

Olho-me no espelho e, no previsível - e esperado! - julgamento da imagem que se reflete, além das tão características pernas arqueadas e dos meus braços longos, magros, porém musculosos, atesto inequivocamente todas as alterações, visivelmente perceptíveis, em meu corpo como a expressiva perda de massa magra - desafio para a minha nutricionista! - e dos cabelos que já caíram, há muito, assim como, há muito, deixei o saudosismo pelos meus cachos ondulados e do meu extenso rabo de cavalo. 

Olho meu  rosto mais de perto e, ao mesmo tempo que me elogio, atesto os sinais do meu envelhecimento com os "pés de galinha", o "bigode chinês", as rugas na testa e outras marcas de expressão assinaladas pela perda do colágeno, o que não mais garante a sustentação da musculatura facial. Afinal, não foi Newton quem inventou a gravidade. 

No meu tórax, algumas pintas por ter desprezado o uso de cremes e de protetor solar ao longo da vida. Acho os meus peitos bem bonitinhos, de boa musculatura, a despeito dos meus mamilos míopes, que sempre olharam pra fora. Brinco com eles de mexer pra cima e para baixo, o que o meu filho também faz me imitando.

Não considero minha barriga avantajada e, muito pelo contrário, ela estabelece uma boa relação entre a cintura e o abdômen, apesar do cuidado constante com o nível da gordura visceral. Acho que é devido ao pouca consumo de alimentos processados e frituras e excelente hidratação. Vejo meus bíceps e  tríceps bem trabalhados com boa musculatura. Normal entre corredores com quem convivo. 

Corredores de rua e maratonistas tem este algo em comum, de acordo com os pesquisadores da Clínica Média de Medicina do Esporte, de Minas Gerais, Janaína Goston e Larissa Mendes: somos magros, de estatura mediana e pesamos entre 64 e 90 quilos, com IMC entre 19 e 29 e um mínimo de gordura corporal de 9 e máximo de 34. 

No momento, apesar de estar bem quanto ao IMC de 22, e gordura a 19, ainda estou devendo para a balança, pois, até o momento, o máximo que atingi no mês de janeiro foi 63,5, cismando no patamar dos 61,5.

Mas, sei que não me comporto como devia nos aconselhamentos e orientações da minha nutricionista, ainda mais que não sou um atleta profissional e nossa alimentação aqui em casa é de base vegetariana com pouca ingestão de alimentos ricos em gordura e nenhuma de origem animal.

O meu desafio é aumentar o consumo de carboidratos, - de rápida digestão no meu organismo! - legumes, frutas, verduras e driblar uma enorme fome que sinto entre uma refeição e outra, num intervalo de, no máximo, 3 horas, o que supro, quando estou em casa, com bananas, uva passa e folhas de ora pro nobis que tiro da nossa horta orgânica, ou um mix de oleaginosos, quando estou no trabalho. 

Mas é um desafio repor as mais de 700 calorias gastas nos treinos dos 10 km em 1 hora e cerca de 1.500, acima dos 15 km, correndo por 1 h:44 m. Perco, em média, dois quilos ao final destas corridas. Em cada um dos dois treinos semanais para fortalecimento muscular gasto 500 calorias. Felizmente, recupero muito rápido durante os dias seguintes cuidando do adequado consumo alimentar e mantendo a necessária hidratação.

Além do ovo cozido, da espiga de milho, e do pão integral com requeijão feitos aqui em casa, no café da manhã, não deixo de colocar, religiosamente, no prato meu prato - de peão! - na hora do almoço, duas conchas de feijão e 6 colheres de sopa de arroz junto aos demais alimentos no almoço e no jantar acompanhado de uma proteína vegetal que pode ser um ovo, proteína de soja texturizada com shitake, grão de bico, ervilha ou lentilha, servido com legumes e verduras a vontade, temperadas com azeite extra virgem. 

Aos finais de semana, quando não vou na feira comprar pastel com caldo de cana, gosto de fritar uns peixinhos (de horta!) servindo com salada e feijão com arroz. Nosso filho adora! De noite, uma pizza com cerveja na noite de sexta insegura com chave de ouro o fim de semana. 

Além do estrogonofe de legumes e do macarrão integral com molho se azeitonas pretas e temperos aromáticos,  preparados pela minha esposa, a sobremesa de goiabada cascão com coco queimado das Casas Pedro só perde para o picolé da moleka - iguaria local  - ou para a deliciosa e colorida gelatina também preparadas por ela.

Alguns raros corredores, de alta performance, cuja alimentação balanceada, treinamento espartano e estrito acompanhamento de uma equipe multidisciplinar tem, somente na genética, alguma provável explicação pelos excelentes resultados. O perfil dos velocistas, como o genial corredor jamaicano Usain Bolt com os seus 1,96 cm de altura e 86 kg, guarda em sua herança familiar medidas antropométricas ideais o que o fazem o maior recordista nas provas de curta distância, desafiando o mundo dos esportes a repensar o conceito de limites para o ser humano. 

Mas, quando este "antílope" começou a correr, ele comia quase de tudo. Profissionalizando, passou a ter sua alimentação totalmente organizada por uma equipe de nutricionistas. Bolt chegou a comer mais de 1000 nuggets do McDonald,  quando esteve em Pequim, quando ganhou três medalhas nas Olimpíadas de 2008, conforme matéria da Revista Saúde, assinada por Thiago Sievers.

Diz o corredor -

"Quando você começa com um treinador e há um peso que você tem que permanecer, e todos os dias você tem que se pesar e cuidar de sua comida, eu ajustei minha dieta para passar a comer mais vegetais e proteínas. Quando os desejos aparecem, você tem que olhar par o outro lado. Essa é a parte mais difícil." 

Como o velocista passou apenas 10 dias na China, ele comeu, nada mais nada menos do que 100 nuggets por dia!

Para conservar o título do homem mais rápido do mundo, Bolt consome no café da manhã sanduíche ou ovo; no almoço, massa, carne em conserva ou peixe; no lanche, manga, abacaxi e maçãs ao longo do dia e, na janta, bolinhos jamaicanos, vegetais e frango assado, ainda segundo a matéria.

Cardápio que tem rendido excelentes resultados, pois, ao final de uma prova, entre os 60 ou  80 metros, quando o rendimento dos adversários começa a cair, Bolt inicia o seu voo, quase não pisando no chão em cada passada, atingindo cerca de 44 km por hora, numa prova de 100 m, como relata Renata Cabral em sua resenha sobre o corredor, na Revista SIS Saúde.

Nas provas de longa distância, impressiona a performance de queniano Eliud Kipchoge, o queniano vencedor da maratona de Berlim, em 2022. O corredor não só liderou em toda a prova, mas, foi além ao ultrapassar a sua marca, concluindo os 42,192 km em 2h01m09s, resultado que o fez bater seu próprio recorde, a saber, 30 segundos mais rápido que seu desempenho na mesma prova em 2018.

As pernas de corredores de longa distância perseguem um padrão genético: costumam ser mais compridas que a dos velocistas.  Gosto das minhas como são. 

Apenas não me simpatizo com minhas costelas salientes e uma quase incipiente barriguinha de chopp. Minha nutricionista vê isto como um bom sinal da localização da gordura: segundo ela, longe do coração. Tomara que ela esteja certa!

Volto a olhar para baixo,  minhas coxas e batatas das pernas me enchem de orgulho, assim como a higidez da musculatura de toda a parte anterior da coxa. 

Minha bunda magra só tem músculos e isto, junto com o tornozelo, as minhas canelas também grossas, compridas - cheias de marcas de cortes pelos tombos e acidentes -, podem explicar o meu bom  rendimento nas subidas assim como os poucos eventos de cãibras e, até o momento, nenhuma canelite ou alguma lesão grave. Não me lembro da última... E, acho que por estas e outras, sempre dou um pequeno sorriso para aquela imagem, que me responde, agradecendo.

Aí reside uma grande vantagem dos corredores de longa distância: levamos muito mais tempo para denunciar nossa idade! Nossa balança de bioimpedância,  toda semana, me faz um agrado me roubando 10 anos, ao fazer os seus cálculos depois de uma corrida de mais de 10 km.

E, naquela segunda feira, depois do longão do domingo, treinei o  que cismo em chamar de "rejuvenescente", quando, na verdade, trata-se treino regenerativo às segundas feiras. Mas não são faces da mesma moeda?! Então, ao regenerar as células   rejuvenesce.

Coxas musculosas e fortes, pernas tortas e canelas marcadas; corpo magro, maior velocidade. Desvio na coluna e velhice, melhor aproveitamento das transformações em meu organismo e metabolismo acelerado. 

Ou seja: entre perdas e ganhos do jogo da vida, posso levar a final para uma disputa de pênaltis. Até lá, alheio à sorte, conto com minhas qualidades e experiência acumuladas correndo ao lado daquele rapaz que, há 40 anos conquistou sua primeira medalha com seus 30 aninhos. 

Treino pesado, de 10km fortes, também me ajudam nas minhas reflexões, como o de hoje, por exemplo. As primeiras paisagens da praia, logo após o primeiro quilômetro no calçadão - o pior, pra mim! - me levaram a refletir sobre a compensação do meu organismo, acho que a principal está no ritmo lento do meu coração. 

As minhas pisadas deveriam gradualmente se intensificar nos 60  minutos ainda pela frente e, para isto, seria de extrema importância o controle emocional para manter o ritmo da respiração. Consciente e inconsciente em plena harmonia. Um ciclo de respiração completo a cada novo passo do mesmo pé  voltando ao chão.

Como morador e utilitário da ciclovia,  quase diariamente, atesto que as obras de revitalização da praia de Sepetiba pouparam suas longevas árvores, como as amendoeiras,  cujos frutos, derrubados no chão,  sempre  me pedem mais que atenção para não pisar e não escorregar. 

A igrejinha de São Pedro, as árvores com seus enormes troncos, o barquinho guiado pelo jovem pescador, o exímio lançamento da rede que se abre é, lentamente, flutua no ar.

Foto: Márcio Pinto

A morte poética e em câmera lenta, pousa,  delicadamente no espelho dágua. A rede invisível mergulha e cerca o cardume.  A pesca, a brisa e a maresia me levam até o Posto 6, da Copacabana da minha infância. 

Foto: Márcio Pinto

A lei da compensação em tudo reverbera no circuito da orla de Sepetiba. Quando faltam árvores num determinado trecho da praia ou que ainda não crescerem o suficiente para produzir sombra,  em cada casa da praia existe uma com uma boa copa refrescante. 

As duas enormes figueiras, matriarcas veteranas da praia do Recôncavo, antecipam a deliciosa sombra das amendoeiras e dos coqueiros da praia Dona Luiza, logo depois do santuário do Santo Guerreiro e da imagem majestosa de Yemanjá,  - a nova  -abençoando os devotos em seu pedestal de dentro do mar. 

A partir deste ponto é que "ligo o motor"  e acelero, ladeira acima, passando pelo corpo de bombeiros e Iate Clube para curtir aquela deliciosa descida.

Relaxo com os braços soltos e me recupero da rápida e intensa aceleração até reiniciar o trecho da ciclovia, agora, rumo à praia do Cardo. É o trecho em que desenvolvo o máximo de velocidade, nos meus treinos fortes de 10 km, na metade da semana. 

Para compensar, mais uma vez, o furo na planilha de treino, ao trocar os dias da semana, no final do dia, lá pelas 7 hs, como há muito não fazia, resolvi correr os 10 km leves e repeti o mesmo percurso da orla de Sepetiba.

Claro que as impressões seriam totalmente diferentes ao correr de madrugada ou pelo início da manhã: desde as sensações mais sutis, como a brisa da noite e o perfume de alguns corredores passando por mim, até a profusão de vida, entusiasmo e alegria que toma conta das mesas dos quiosques à beira mar.

Crianças brincando, famílias reunidas pescando com varas, casais passeando, um jovem skaetista,  de rabo de cavalo, que passa, rapidamente, por mim e até um violeiro solitário, sentado na calçada, com uma cadeira de rodas ao seu lado, tocando Raul Seixas; rapazes e moças jogando "altinho" se misturam com o delicioso cheiro de peixe frito servido no Pirata's Pub, da Praia do Recôncavo.

À noite, bares, lanchonetes e restaurantes são as melhores opções para quem deseja uma refeição salutar num lugar agradável, como é a noite em Sepetiba. Ainda mais, fazendo o calor que tem feito ultimamente, uma cerveja gelada, - duplo malte ou Heineken - cai muito bem.

As roupas da corredoras associam a sensualidade à leveza e ao conforto necessários aos esportes e isto é um diferencial de quem sai para correr de noite, na beira da praia, infelizmente, com alguns trechos de péssima iluminação.

Nosso bairro não conta com policiamento de espécie alguma. Entretanto, não há registros significativos de assaltos, roubos, ou outros delitos como são comuns em outras praias, principalmente, as da zona sul, o que leva muitas famílias, durante as férias, a aproveitar esta nossa excelente opção de lazer.

Diferente das manhãs e madrugadas, não há barcos navegando e, apenas alguns, atracados, com luzes acesas, assim como cachorros afoitos para morder minhas canelas. 

A quantidade de pessoas correndo, passeando de bicicleta, caminhando, me leva a, prazerosamente, me desviar. E isto, em nada altera o meu ritmo de corrida, pois não estou preocupado com a minha performance. Apenas aproveito aquela deliciosa corrida de noite, entre pessoas que saem de casa para o lazer.

Como evito correr pelas ruas, muito menos onde haja trânsito intenso de automóveis, optando a maior parte do trajeto pelo calçadão da orla, não me exponho tanto aos perigos de atropelamentos - o que não não me isenta de todo o devido cuidado, principalmente, durante as noites, como, correr na contra mão, usar calção ou camiseta vermelha ou amarela.

Ao trocar os dias de preparação,  pensei noutra estratégia para estas duas últimas semanas de treino que foi a de treinar durante as noites e reservar o longão de final de semana para o mesmo horário em que vou correr a Meia de Angra. Assim, relaxo e aproveito melhor o finalzinho das férias, dormindo até um pouco mais tarde durante a semana. Afinal, entre dezembro e janeiro, excetuando a São Silvestre, não há corridas expressivas no calendário anual.

Afinal, tenho corrido apenas cerca de uma hora às quartas e sextas. Na segunda, apenas meia hora. No domingo, cedinho, antes da família acordar, já voltei com o pão. E isto, não me rouba de minhas responsabilidades em casa, tampouco de minha esposa e do nosso filho. E é o que eu tenho para hoje e me basta para ser feliz.

Ainda que  eu mantenha uma relação  íntima e solidária com o Tempo e o Ser e guarde um enorme respeito pela passagem do tempo, sei que um dia irei perder pra Morte, e, claro, farei o máximo pra que ela demore a me alcançar. 

Por mais perfeito que seja o nosso organismo, ele, assim como o melhor tênis do melhor fabricante,  do melhor relógio com GPS, tem o seu limite de uso e, definitivamente, junto ao meu espírito, irei pendurar minha última medalha pela conquista da liberdade definitiva,  cura de  todas as dores do meu corpo e o apagamento de toda a minha consciência de localização no Tempo e no Espaço.