Mostrando postagens com marcador corridas de rua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corridas de rua. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Diário, 2ª semana 2.8 - A Meia Maratona de Angra dos Reis (Episódio 02/23)

MINHA SEMANA DE TREINOS

08/01/23 (primeiro dia) - longão. Como já havia obtido a marca necessária conforme meu planejamento para 2022, após uma semana de repouso pelo estresse da fadiga muscular, acúmulo de ácido lático, normal entre corredores de rua, decidi começar com um volume menor que o obtido no último dia do ciclo de treinos anterior, partindo dos 12 km. 

Fui dormir no meu horário regular tendo um lanche feito de carboidratos e proteínas - stocks com tahyne e ricota  - seguida de uma deliciosa sopa de feijão com crutons de apoio na air fryer. Estava chovendo fino e fazendo frio o que me levou a dormir logo assim que deitei debaixo do cobertor. 

Acordei às 4 da madrugada mais pela noite agradável e bem dormida nas minhas suficientes 6 horas diárias de sono noturno. É que compenso com a siesta, hábito herdado de família, dormindo uma hora depois do almoço, quando não estou trabalhando, claro!

Em silêncio, pra não acordar a família, fui preparar o café da manhã e deixar a mesa posta antes de sair pra treinar, como sempre faço. 

Coloquei um ovo pra cozer enquanto passava o café,  aquecia meia espiga de milho e uma caneca de leite integral. 

Esperando o café passar, amassei duas bananas e comi com aveia integral, amendoim picado torrado e farinha de chia. 

Minha intenção era, se não estivesse chovendo muito e fazendo muito frio, sair de casa perto das 5 para uma corrida de 1:20, com ritmo médio de 6:30 pra não começar forçando neste plano de aumento gradativo de volume e intensidade.

Como um colega da Efusivos Runner, "a pista estava chamando, o que era pura verdade!

A meta até 06/02 era de 83 km de corrida incluindo 2 dias de fortalecimento muscular em treinos funcionais e alongamento diário com um dia de repouso (sábado) e um treino regenerativo - os 5 km, leves, às segundas feiras, após o longão do domingo.



Me vesti com a roupa e o tênis que ja havia deixado separado na noite anterior e, por precaução, peguei um frasco de álcool e uma máscara ainda devido a Covid e variantes.

Liguei os aplicativos , ainda não deu pra comprar um bom relógio com GPA, - sonho de todo corredor apaixonado! - e saí de casa às 5:24, seguindo pela Estrada do Piaí em direção à orla, passando pelo Coreto de Sepetiba, na Colônia dos Pescadores.

Tanto o Adidas Running quanto o Runkeeper, da Asics,  fabricante do meu tênis, alertavam que eu deveria segurar o ritmo, pois já estava aquém da meta logo nos primeiros kilômetros  lembrando que a intenção não era diminuir o pace, mas, sim, manter o ritmo e o fôlego gradativamente em longas distâncias, a partir dos 10km. 


Não fora os dois cachorros no retorno na Praia do Cardo - a última da orla de Sepetiba, que me fizeram correr de costas tentando proteger meus calcanhares, teria mantido o ritmo e os batimentos cardíacos (rs)


Mas, no final, me senti muito bem tanto pelo rendimento quanto por dispor de uma pista bem conservada e uma paisagem deslumbrante,  mesmo com o tempo nublado. 


Pace mínimo de 6:01 e máximo de 6:57 está muito bom pra começar com este primeiro longão de final de semana .


Ao chegar em casa, fiz a limpeza do tênis, e fui tomar minha ducha. Logo depois, fiz meu alongamento e fui tomar outro café da manhã, com minha esposa que acabara de acordar. Nosso filho continuara dormindo. 

Comemos aipim cozido com azeite, passei outra garrafa de café e terminei a minha caneca, já com toda a família acordada. Já já vou cuidar do almoço, com o reforço nos carboidratos de um macarrão com creme: estamos em dieta... de engorda! Compramos uma nova balança: digital com leitura de bioimpedância. Minha companheira está fazendo ginástica!

 09/01/23 (segundo dia) - treino regenerativo 

Não diria que a noite foi tão agradável pra se descansar, apesar do friozinho gostoso e da ceia leve, no domingo, com direito a salgadinhos, pizzas e vinho. 

Mas é que, as atitudes antidemocráticas e as ações de terror promovidas pelos vândalos que depredaram o Congresso Nacional e invadiram a Praça dos Três Poderes

O inconformismo da derrota nas eleições presidenciais é a barbárie no DF tornaram o final do domingo muito tenso pra gente aqui em casa e pra muitos amigos, companheiros e conhecidos nossos que lutamos para a eleição do atual Presidente da República.


Esperando a família acordar, ainda em férias, debelada a "revolta dos manés", tenho a certeza de que tudo está sendo providenciado pelas autoridades competentes, já que retornamos ao regime democrático e dele não nos afastaremos, jamais!

Acordei um pouco mais tarde hoje, pois sabia que o treino seria suave como planejado em um treino regenerativo que desempenha a função de relaxar as fibras musculares ainda tensionadas devido ao longão do domingo. 

Além disto, tem a propriedade de remover o lactato,  devido ao acúmulo de metabólitos, ou seja, de eliminar o acúmulo de ácido lático, responsável pelas dores e câimbras no pós treino.

As atividades físicas de grande intensidade e esforço exigem estas pausas no treinamento, com a rígida observância dos treino regenerativos, que tem como finalidade o descanso do metabolismo, 24 horas após o catabolismo pós treino (degradação muscular). 

A periodização de treinos, conforme os professores Joao Vitor e Rafael Oliveira, no livro Periodização e Técnicas Avançadas de Força (2020).  baseada no princípio da adaptação considera que o organismo passa por três fases, quando confrontado com um esforço elevado, catabolismo, adaptação e plateu, que, para ser ultrapassado, precisa de um outro estímulo, de maior volume e intensidade, conforme os objetivos.

Então, depois de fazer a minha habitual refeição, saí de casa um pouco mais tarde e, apesar de ter pensado num trajeto curto, não repetitivo, preferencialmente, num circuito plano, evitando a estrada, já que haveria veículos circulando naquele horário, desci direto pela rua do canal, a Avenida Ary Chagas - uma reta de um quilômetro, plana, com um leve declive, em direção à praia, contornando pelo coreto. 


Correndo, pensei que poderia contornar o canal e, assim, obteria os dois quilômetros, completando os demais, dando uma volta na Praça Oscar Rossini. Mas, não tenho a menor afeição por circuitos repetitivos. Aliás, tenho aversão às rotinas, sejam quais forem!

O ritmo era tranquilo, como havia planejado e, na praia, estava com os meus 7m/k, o que seria o ideal durante todo o percurso.  Completando os dois quilômetros pelo calçadão da praia, ao chegar  na esquina da rua de acesso à Praça Oscar Rossini, iniciando o retorno pela Rua da Floresta voltando em direção ao canal.

Daria subir pela rua do canal, mas, em função do desgaste do aclive, ainda que suave, mas segui em frente, em direção à Base Aérea de Santa Cruz. 

Como tenho treinado no mesmo circuito, correndo por quase todo o percurso, na orla de Sepetiba, devido à pista regular e, claro, a agradável vista da linha do horizonte encontrando com o mar, a brisa e as belas paisagens.

Não só isto: como conheço a distância relacionada a cada ponto que me chama a atenção, fica muito fácil eu saber quantos quilômetros e o meu ritmo ao passar por eles, o que é benéfico no acompanhamento do rendimento.

Para isto, em cada mesociclo a partir dos 10 km (12 km, 15 km, 18 km), recupero o mesmo trajeto do treinamento para minha última meia que eu completei no ano passado, que foi a Meia da Reserva, procurando repetir principalmente toda a extensão da orla como prioridade, deixando a volta pela Estrada do Piaí, como "reserva", em caso de não completar a distância necessária.

É que, nesta época do ano, como a estrada não é arborizada, é o trajeto de maior incidência do sol, sem contar com o trânsito: ainda que bem cedinho, já tem vans circulando junto com motocicletas e alguns carros se deslocando em direção à Santa Cruz.

O fato é que não considerei esta minha decisão e não me lembrei de já ter feito um excelente treino regenerativo há bem pouco tempo correndo estritamente pela orla, ida e volta e, então, copiei integralmente o trajeto que incluía retornar pela entrada da Base Aérea o que não foi nada agradável, assim como em nada contribuiu para que eu "relaxasse", como tem que ser feito no treino regenerativo após um longão. 

Comprometido com as lutas sociais, herdando a formação e a consciência de classe da minha família, professor e antifascista, lutando pelos direitos humanos,  e pelo fim dos privilégios de quem acumula as grandes riquezas expropriadas dos trabalhadores,  não seria estranho eu pensar em outra coisa a não ser nos prejuízos à democracia promovido por um governo de exceção, ditatorial, como nos anos de chumbo da ditadura militar.

Da mesma forma, claro que seria esperado eu refletir, diante daquelas placas, da ameaça de que nos livramos com a derrota de um governo, cujo ex presidente indiciado por estímulo aos atos considerados golpistas e terroristas, assistidos e repudiados por todo o mundo democrata, com a invasão do Congresso Nacional e depredação do nosso patrimônio, com enormes prejuízos materiais à cultura, à história e à memória.

O ex presidente, ora nos Estados Unidos, por conta de internação devido a dores abdominais, nada pronuncia a respeito das atitudes criminosas dos seus apoiadores, muitos deles, devidamente presos pelas forças de segurança em Brasília, graças às rápidas ações tomadas pelo nosso presidente Lula e de todos os parlamentares indignados como a maioria dos cidadãos brasileiros.

Claro que não ultrapassei o perímetro demarcado da área militar, ali contornando em direção, novamente, à Praça Oscar Rossini.Conseguindo deixar estes pensamentos no seu devido lugar, voltei a pensar na corrida e, no retorno, já estava passando em frente ao reduto da boemia sepetibana, o Bar do Bill, seguindo adiante, mantendo o mesmo ritmo, e passando em frente à Igreja de São Pedro, na praia de Sepetiba.


Entretanto, apesar da minha desconfiança, não precisei ganhar mais alguns metros a percorrer, pois, ao passar  em frente ao canal, o GPS já marcava os 4 k e, faltando apenas 1 k, retornei em direção a minha casa, entendendo aquele, o circuito ideal para os próximos treinos regenerativos. água, tomei uma ducha e fiz o alongamento necessário. 


Agora, é tratar de repor as calorias perdidas - ainda que poucas, creio! - e começar o dia.

10/01/23 (terceiro dia) fortalecimento muscular 

Mais ainda que ontem, acordei bem mais tarde: não estabeleci uma rotina de treino funcional, apesar de saber necessária pro treinamento pra maratona.

Nas duas meias corridas em 2022, até que fui direitinho com os exercícios, mas, como aquela rotina de repetições me cansou tremendamente, decidi alterar significativamente usando o pacote de treinos de fortalecimento, equilíbrio e alongamentos da Adidas Running, com a novidade de fazer as séries programadas semanalmente brincando com meu filho, normalmente, à noite.

Hoje fiz uma série de 20 minutos com 3 repetições de polochinelos, exercícios para os braços, pernas e abdômen com ritmo intenso e me senti muito bem. 


11/01/23 (quarto dia) - 10km forte 

 "...mas são só 10km ! ", pensava alto logo que comecei a correr já prevendo o esforço que teria que empenhar pra, não só manter o ritmo, como, aumentar a velocidade.

Tinha que fazer os 5 quilômetros em meia hora. Ocorre que este "tinha" não seria naquele dia, pois ainda estava na primeira semana de treinos e isto seria pra daqui a duas semanas. E olhe lá!

Se eu ficasse na marca dos 10 quilômetros em "mais ou menos" uma hora eu concluiria a Meia em pouco mais de duas horas. No máximo, passaria uns 10 minutos.

A Meia da Reserva, em setembro de 2022, eu concluí em 2:03, com um ritmo médio de 05:51 e velocidade máxima de 14,1; A Meia Internacional, pouco menos de um mês antes, em 2:18, ritmo médio de 6:31 e velocidade máxima de 12,6.

Algo na metade disto já estaria muito bom para as minhas pretensões com a Maratona do Rio, na metade do ano. Ou seja, completaria em 2:11, com ritmo médio de 5,91 e velocidade máxima de 13,35 estaria excelente, pois teria baixado o meu índice, e, daí, teria alguns meses para manter este ritmo, podendo ganhar ou perder, mas, com certeze, seria muito bom.

"Seria", ou seja, "provavelmente", mas, entrando um pouco no aspecto da minha personalidade, uma criatura tão ansiosa como eu, logo no começo da corrida já estava pensando no esforço que seria ficar abaixo do pace 6, no máximo, após o segundo quilômetro pois "seriam apenas 10 km!

Mas, enfim, completei a corrida em 1:02, com pace 6:13 e velocidade máxima de 11 k/h, já no primeiro dia de treino forte para os 10 km. Claro que tenho que tormar cuidadeo com  com a fadiga muscular e as lesões provocadas pelo excesso de treino, mas, isto, vai do controle psicológico, do treinamento, fortalecimento muscular, alongamento, alimentação, hidratação. Ou seja, passou da hora de  correr com seriedade, o que venho me esforçando há pouco mais de um ano, desde que voltei a  correr e começar a correr com rigorosidade.

E isto exigirá acordar religiosamente às 4 hs da madrugada, pois pego no trabalho às 9hs e o nosso filho, às 7 hs durante toda a semana. Ou seja, às 6 hs, não só tenho que estar de volta, mas, tomado a minha ducha e feito o alongamento em 4 dias da semana, pela manhã.

Os dias de fortalecimento muscular, na terça e na quinta, tem como fazer os exercícios em qualquer momento do dia o que, juntando a segunda feira, de regenerativo e o sábado de descanso, não será, assim, tão "sacrificante", ainda mais com um objetivo tamanho que é completar uma maratona inteirinha - e inteirinho! - não só aos 66 anos de idade, mas, tendo voltar a correr maratonas depois de mais de 30 anos. E com o foco em manter aquele índice daquele rapaz de seus trinta e poucos aninhos. 

Estranho isto de eu não ter me dedicado a outros esportes e, ao contrário, me ver tão aficionado pela corrida de rua. Não sei se ponho na conta do meu biótipo, da falta de tesão, das oportunidades ou de qualquer outra motivação de ordem fisiológica ou psicológica, sem desprezar, claro, o fator econômico.

Na minha adolescência, apesar do estímulo à educação física dos governos militares nos anos 60 e 70, como fiz todo o ensino médio, antigo segundo grau, estudando à  noite, porque sempre trabalhei durante todo o dia, fui dispensado das aulas de educação física, e, diga-se de passagem, elas existiam apenas "no papel", pois, não me lembro de jamais ter visto ou assistido a uma aula sequer de prática esportiva.

Meu irmão mais novo tinha uma caloi 10 e, de vez em quando, eu passeava com ela, mas, como ele passou no vestibular para uma outra cidade e precisou sair de casa, deixei de andar de bicicleta. Naquela época, deixei de pegar jacaré em prancha de isopor e consegui comprar a minha primeira prancha de surf, esporte que pratiquei até eu me casar: fui morar distante da praia.

Alguns anos depois, comprei um caiaque, contratei uma professora de canoagem  e passei a remar na lagoa Rodrigues de Freitas e na Praia Vermelha, na Urca. Quando viajava com a família, minhas filhas adoravam passear de caiaque.

Na faculdade, nos anos de 1980, também trabalhava e estudava à noite, tendo sido dispensado, o que, na época, me frustrava bastante pois, estudando na UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, quando não estava em aulas, costumava visitar o pólo esportivo e ver alguns alunos jogando basquete, futebol, correndo... e isto durante à noite.

No meu primeiro casamento, conheci o tae kwon do , uma arte marcial coreana que usa bastante os pés, os saltos e os socos, e passei a me dedicar com afinco àquela atividade. As dores na coluna me fizeram abandonar a luta na penúltima graduação - faixa vermelha ponta preta! 

Mas, hoje, aprendi com o corredor maratonista e triatleta Karuki Murakami que as dores são inevitáveis. O sofrimento é opcional!

Mas, com o Dr. Drauzio Varela, já havia aprendido a não colocar na conta das dores inevitáveis da idade a falta de motivação para as corridas de rua o que me fez pensar - e fazer por onde! -  pra voltar a correr. 

Claro que bem antes, escritores como Julio Verne, A Ilha Secreta, Hernest Hemigway, com O velho e o mar" e Amyr Klink, com "Cem dias entre céu e o mar " me serviram de estímulo,  tanto quanto os clássicos A Odisséia , A Ilíada, Dom Quixote e  Os Lusíadas. 

Afinal, a corrida de rua pede muito menos que toda aquela bravura, diga-se de passagem, romanceada. Ela pede muito pouco, aliás: apenas a vontade de correr e isto, eu tenho de sobra, além de um par de tênis!

12/01/23 (quinto dia) fortalecimento muscular

Sem sombra de dúvida,  fazer exercícios ao ar livre motiva, inspira e rende muito mais! E foi com este espírito que hoje abri a porta e fiz a minha série, mas, com algumas adaptações por causa de uma dor nas costas que arranjei nos últimos dias.

Em primeiro lugar, achei que foi por causa de um exercício  diferente que forçou a musculatura das costas, mas, pensando melhor, atestei aos movimentos de poda que venho fazendo no nosso quintal, além, claro, de brincar com o meu filho intensamente.

Mas, pela manhã, com todos dormido a mistura do canto dos pássaros com algumas e vozes de vizinhos tornaram a série mais do que agradável.

Pensei no quanto o cuidado com as plantas, com o quintal e a grama me faz tão bem quanto às corridas.  Tanto correndo sozinho, quanto à jardinagem me devolve a paz e a serenidade tão bem-vinda.

A observação de um ramo a ser cortado, a inspeção para ver se há alguma praga, a limpeza das raízes, adubação, transplante de mudas e troca de vasos acompanha um movimento que medeia entre a razão e a paixão.

Não é diferente com as corridas que pede todo um trabalho de concentração, mas, jamais deixa de ser uma brincadeira séria.

Minha esposa divide comigo os cuidados com o nosso jardim e hoje, em especial, passamos quase o dia inteiro cuidando dele. E, ao final do dia, jantamos uma panqueca de ora pronobis nutritiva e deliciosa, para uma noite chuvosa.

13/01/23 (sexto dia) 10km leve

Às vezes, mudar os caminhos pode ser uma solução.´

E isto eu posso aplicar em muitos momentos da minha vida, desde que decidi, nos meus 20 e poucos anos pela minha profissão, assim como, ainda na adolescência, pela minha opção político-ideológica e espiritual.

Também, a decisão de largar o sedentarismo e voltar a correr depois dos 65, a fim de acompanhar o pique do meu filho, de 4 anos de idade.

Hoje foram aqueles cachorros que tentaram me morder no começo da semana. Lembra?! 

Então... já na no final da orla, chegando aos 5 m,  contornando na rua Abílio Teixeira de Aguiar, na praia do Cardo, olhei o ponto onde havia sido atacado pelos amigos nervosos. Pelo horário, o encontro seria inevitável...

Nem pensei duas vezes para seguir em frente, subindo aquele que seria o maior aclive da semana, de 11 m, pra dar a volta pela rua de trás. Assim, não só evitaria o confronto como, também, garantiria o trajeto ideal, voltando pela rua do canal, fugindo do movimento e do trânsito da hora.

E, não foi diferente: ao completar o contorno, já avistando a praia, olhei à esquerda e os cachorros estavam exatamente no mesmo ponto, prontinhos reforçar o café da manhã com um naco da minha canela.

Pode ser por oportunidade,  possibilidade, facilidade. Mas, sempre precisei decidir e fazer uma escolha. Nem sempre foram as melhores, claro rs

Mas esta, com certeza, foi muito boa, não só por ter me livrado de umas dentadas na perna, como, também, por ter decidido pelo trajeto ideal pra completar os treinos semanais de 10 km: o forte, da segunda feira e o leve da quarta.

Ter decidido pelo magistério também foi uma excelente decisão, pois esta é uma profissão com quem tenho feito muitas amizades além de que os dias de trabalho, o lugar e os horários, além de flexíveis, são de relativa negociação.

Há mais de 40 anos lecionando, hoje, trabalho bem menos que trabalhava, e bem mais perto de minha residência, quando completei minhas duas primeiras maratonas o que entendo ser um facilitador para que eu tenha como completar outras provas longas, mesmo tendo passado tanto tempo.

A instituição em que trabalho dispõe de parque aquático com atividades facultadas tanto aos estudantes, professores e comunidade. E de lá que tenho recebido estímulo, incentivo e aconselhamento dos professores de educação física, dois deles, inclusive, também são corredores.

Ao terminar as férias, pretendo associar os exercícios para o fortalecimento muscular com as aulas de natação, na piscina do meu trabalho, nos dois dias destinados a estas atividades ou, ainda, alternar entre a natação na terça feira e os exercícios funcionais na quinta. Mas isto, vou decidir ao retornar as aulas no mês que vem.

A minha associação (Appai - Associação Beneficente dos Professores Públicos Ativos e Inativos), disponibiliza entre os seus associados um grande leque de opções de atividades de lazer e, dentre eles, o benefício corridas e caminhadas.

Assim, posso  desfrutar, o ano inteiro do calendário das principais corridas no meu estado, incluindo, as do calendário oficial, apesar das inscrições limitadas aos seus associados e dependentes.

Ao contrário das estatísticas sobre o adoecimento profissional dos meus colegas, entendo que, ao escolher as salas de aula como lugar em que passaria boa parte da minha vida trabalhando foi - e continua sendo! - uma atividade prazerosa que contribui, também, para a minha longevidade, apesar de todo o risco da nossa profissão.


14/01/2023 (sétimo dia) - descanso

Surfando na onda do esforço de ontem, hoje é dia de ficar de boas (rs). Descanso, descanso e descanso, além de muito macarrão pra enfrentar o longão dos 15 km de amanhã.

Compramos uma balança de bioimpedância como estímulo para o nosso propósito de ganhar peso, o que é um baita desafio pra uma magrela e outro magrelo como somos eu e minha esposa.

Fiz uma primeira medição há dois dias e, amanhã, antes de sair de casa faço outra e repito assim que retornar com grandes possibilidades de emagrecimento, claro!

Mas, tendo aproveitado bastante a sexta feira, com direito a churrasquinho vegetariano e uma latinha de cerveja, pra gente e piscina com sorvete e esquibunda (escorrega dentro da piscina) para as crianças foi tão prazeroso quanto termos cuidado do jardim no dia anterior e noites super agradáveis com temperaturas amenas. 

O verão, por aqui, é marcado por fortes tempestades que, apesar de intensas, são rápidas e, logo, volta o sol mais intenso ainda. São as famosas chuvas de verão que antecedem as "águas de março" que fecham a estação, mais de acordo com a famosa canção do que, propriamente, o clima que tem sofrido bastante alterações

Ontem à noite, inclusive, com a temperatura bem agradável, nos demos ao luxo de assistir a um filme que terminou relativamente tarde o que me fez ficar na cama até às 6 hs, o que é muito difícil durante a semana.

Antes de sair pra encontrar com alguns amigos, fiz um macarrão com molho verde (ora pro  nobis), acompanhado de feijão e antes de voltar pra casa, comi um pastel com caldo de cana, pra não passar de três horas sem me alimentar.

Agora, é tomar uma latinha de cerveja, ver alguma coisa na televisão e preparar o jantar pra garantir o que acho que vou perder amanhã.









sábado, 7 de janeiro de 2023

Diário, 1ª semana 1.8 - A Meia Maratona de Angra dos Reis (Episódio 01/23)

Foi passeando pelo calendário de provas para 2023, revendo o meu planejamento, que me deparei com esta prova e que muito me interessou por diversos motivos e, talvez, o mais importante tenha sido o fato de ter morado, trabalhado e habitado naquela cidade por alguns anos.

Claro que juntou a comodidade de uma prova longa, como preparatório para a Maratona do Rio, em junho e sua distância temporal suficiente para o necessário preparo, de 16 semanas, além da relativa proximidade do Rio de Janeiro não bastasse a possibilidade de visitar alguns familiares muito queridos.

O circuito, -  muito bem conhecido e muito bonito!, - pelas praias do centro de Angra, apesar de que as praias mais bonitas ficam distantes, já próximas à divisa com Paraty - Perequê, no Parque Mambucaba, passando pela a Vila Histórica.

Naquele bairro, onde residimos, conhecemos as melhores praias, como a Praia Brava, a Secreta,  a da Vila Histórica, a de Coqueiros, Vila Operária, São Gonçalo,  São Gonçalinho - esta já na cidade vizinha, ainda selvagem, na ocasião. 

O circuito da Meia, no centro histórico de Angra, inicia na Praia do Anil e passa pelas Docas, estação das barcas, enseada Batista das Neves, entrando no Colégio Naval, ida e volta.

Trajeto bem conhecido meu, pois, ao nos mudar do Rio para Angra, lecionando naquele estabelecimento de ensino militar,  naval, nos primeiros anos deste século, ia do Perequê, em Parque Mambucaba, de ônibus.  Saltava no centro de Angra e caminhava até a sua entrada toda semana  aproveitando a paisagem muito agradável da enseada, pela manhã.

A temperatura, em fevereiro - aliás, o ano inteiro! - costuma ser menor que a do Rio de Janeiro e chove bastante o que, pra mim, é muito bom, pois adoro correr na chuva.

Dizem que o motivo pelo qual a usina nuclear foi construída em Angra dos Reis, durante a ditadura militar foi o alto índice pluviométrico, na ocasião. 

Quando lá residimos, eram raros os dias de sol durante o ano inteiro . Mas, no começo, devido à novidade, isto não nos impedia de aproveitar bastante aquele lugar aprazível. 


Estou em férias do trabalho e descansando após o treino pesado pra São Silvestre que, apesar de não ter ido a São Paulo, completei os 15 k com a média de 10 k por hora, o que me sinalizou ideal para a Maratona na metade do ano antecedida por mais uma meia maratona, daí, ter descoberto esta,  caiu feito uma luva!

Fiz a reserva num hostel, bem recomendado,  na praia, tanto pra mim como para minha companheira e meu filho com a possibilidade de levar, também, seu primo, caso lhe interessasse ir viajar comigo e aproveitar como lazer num lugar aprazível .

Como esperava concluir em, aproximadamente 2h30m, chegando no dia anterior, poderíamos aproveitar bastante passeando pelas ruas do bairro, ou, ainda, indo visitar conhecidos.

Fiz a inscrição e estou voltando à rotina dos treinos, já nos meus 12 k, do primeiro longo, no primeiro domingo após o dia de Reis, quando desmontamos a árvore de Natal e o presépio, segundo a tradição cristã. 

Agora, vamos aos treinos!


sábado, 17 de dezembro de 2022

Promessas, planejamento e propósitos. Corridas: o prazer pela longevidade (Episódio 11/22)

Ainda não foi desta vez que cumpri minhas promessas feitas na festa da virada de ano, pra 2022, como todo brasileiro faz todo ano. 

Não vou correr a São Silvestre, não fui na 2a etapa da Nigth Run, perdi provas consideradas importantes como treino para corridas longas, como a S1K, o Circuito das estações Verão, a corrida do  Rio Antigo, pelo corredor histórico e cultural de minha cidade.

No saldo deste ano que termina, considero importante ter tocado, ainda que bem menos que poderia, o meu violão e ainda consegui nadar algumas vezes. Cuidei bastante do nosso jardim,   li bons livros, visitei minhas filhas e as abracei muito na casa delas e no aniversário do irmão delas aqui em casa. O WhatsApp, apesar dos pesares, tem nos ajudado muito em nossos laços e enlaços.

Ou seja, tem muito mais ganhos do que perdas neste ano quese finda: só o fato de a nossa contribuição aqui em casa pra restituir a democracia e evitar uma tragédia social já seria suficiente pra declarar 2022 um ano vitorioso, sem desprezar as mais de 692 mil mortes pela Covid 19. 


Não há mal que sempre dure, ensina a sabedoria popular. Tudo é inconstante, e a morte é uma certeza, diz o budismo, mas dói muito a perda de tantas vidas, ainda que desconhecidas, tanto quanto de quem nos é próximo: quem não vivenciou a dor e o luto pela partida de algum parente ou conhecido pela pandemia, cujo ritmo de vacinação segue lento, devido ao negacionismo, e ações políticas do governo,  ora despejado de Brasília: a ausência de empatia demonstra uma insensibilidade atroz,  talvez alguma forma de sociopatologia.

É muito triste ver num país como o nosso, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, 33 milhões de pessoas passando fome, somando aos 9,5 milhões de desempregados, fechando o ano com um déficit orçamentário de R$ 231 bilhões,  resultado de um governo despreparado e ineficaz. 

Mas, há, também, o que comemorar: a vitória da Argentina, de Messi, na Copa do Mundo e a derrota de um time, com alguns jogadores estrela, bem mais preocupados com o dinheiro e a fama que com qualquer outra coisa, além do futebol bonito, bacana e gostoso de se jogar, - haja vista a ausência no enterro do Pelé, - também conta positivamente. 

Destaque positivo para declarações de alguns jogadores conscientes de que existe uma outra luta, bem maior - a luta de classes! Não somos e nunca seremos uma pátria de chuteiras!

As risadas dos memes, pós eleição, no Brasil, também contribuíram muito para a nossa alegria depois de 4 anos de profundo pesar, traumas e perdas, o que, milagrosamente, tem sido revertido pela esperança que assola o povo brasileiro.

Empenhei-me na minha saúde integral de corpo, alma e espírito. Ortopedista e nutricionista esportistas, cardiologista,   psicoterapeuta, exames e testes "ok" e voltei a me empenhar no fortalecimento muscular nos dias em que não corro. 

As práticas de autoconhecimento, a terapia e a filosofia zen budista tem me ajudado bastante na minha jornada para relacionamentos saudáveis.

Árvores dando frutos, grama bem cuidada e aparada; meu filho, com quem tenho brincado muito , formado na creche e indo pra pré escola; minha esposa, formada e começando uma segunda graduação.  
9

Minha paixão declarada pelas corridas tem estimulado alguns e algumas colegas a abandonarem o sedentarismo. Minha filhas indo bem no trabalho, meu afilhado empregado, parentes próximos tendo feito cirurgias complexas com sucesso. 

Todo sábado, dia de folga na minha planilha de treino, num encontro com alguns novos amigos conheci um tatuador e falei pra ele do meu propósito em fazer uma tatuagem na batata da perna de 42 K ao completar a minha primeira maratona neste meu retorno às corridas de rua., depois de mais de 30 anos longe das pistas. 

É que, encerrando o ano, após um treinamento estoico, com pace 6.0, fazendo 10 k em aproximadamente 1 hora, com certa tranquilidade, ritmo e fôlego confortáveis, sem outras dores musculares além das que todo corredor convive obrigatoriamente, me sinto seguro pra enfrentar este desafio, indo além, agora, disputando - comigo mesmo! - na categoria dos veteranos, acima dos 60 anos.

Os planos pra 2023, pensando no meu propósito, a longo prazo, em busca da longevidade saudável,  contém diversas corridas, mas tudo depende do planejamento em meio a negociações,  flexibilização e muito diálogo com familiares, companheiros e com quem convivo, trabalho e treino, pois planejamento feito sozinho têm grandes probabilidades de fracassar. 

Os resultados continuarei publicando aqui para estimular práticas e hábitos saudáveis, principalmente, para as corridas de rua. 

Muito mais do que promessa, planejamento e propósito, acho que escrever sobre o que gostaria que acontecesse não só me motiva como me faz construir caminhos, encontrar facilitadores e aproveitar oportunidades para realizar o que se fizer necessário, bom e útil pra mim e para aqueles que eu amo e com quem mantenho relacionamentos, em busca de longevidade saudável e harmonia comigo mesmo, com outras pessoas, com a natureza e outros seres. 


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

A Meia da Reserva. Corridas: o prazer pela longevidade (Episódio 08/2022)

A Meia da Reserva 

Última semana antes de mais uma prova charmosa no calendário oficial de corridas do Rio de Janeiro. A orla da praia do Recreio dos Bandeirantes. 

Aproveitei todo o treinamento para a Meia Internacional do Rio e adicionei alguns elementos nas sessões. Mantendo o meu ritmo, creio ser possível concluir 
a prova em 2h20m, já que nos treinos leves e pesados de 10 km tenho realizado em 1h5m, com pace 6.40 ou 6.30.

A intenção é me preparar pra maratona em 4h20m, utilizando o mesmo método de treino atual - anabólise/catabólise/supercompensação - (Revista Contrarelógio, Rodrigo Bicudo...) associando a treinos para diminuir o pace. 

Também pretendo me esforçar mais na ingestão de água, tornar mais rigorosa a alimentação necessária e aplicar na musculação (Sesc, Vila Olímpica, Appai).

Isto sem contar a aquisição de um bom par de tênis, de um relógio para corridas e tabela de treinos, elaborado junto ao professor de educação física da FAETEC, o Franco, onde trabalho. 

Como o circuito já é bem conhecido meu, apenas assisti a um vídeo e tenho procurado obter informações sobre transporte coletivo, já que a prova acontecerá no domingo e pensei na possibilidade em ir de BRT...

Na semana da prova, encerrei todo o treinamento para a corrida de maneira bem confortável  nos 10 km em 1:05 no mesmo circuito plano da Orla de Sepetiba que tem se mostrado útil e suficiente para treinos de provas de até 21 km.
No dia 15 de agosto, fui retirar o meu kit na sede da Appai, no Centro do Rio e curti muito o comentário do rapaz do atendimento: não sei se por gentileza ou deferência, ele começou perguntando se eu era de 21K.

Não perdi a oportunidade e respondi jocosamente que  se eu fosse um pouco mais jovem, certamente poderia ser de 5 ou 10 K. Aos 65 anos já posso me permitir os 21 rs

Ainda aproveitei pra confirmar a lounge pelo que ele não só confirmou como, também, apontando pra pulseira laranja presa no envelope do meu kit que teria também massagem , guarda volumes...

Era tudo o que eu precisava pois sairia muito cedo de casa e, se estivesse frio, teria que ir de agasalho. Massagem sempre é muito bem-vinda, ainda mais depois de correr a metade de uma maratona . Mas o guarda volumes é imprescindível!

No corredor, passei por uma sala cuja porta estava aberta e pra minha surpresa e encantamento era uma loja com tudo que uma pessoa apaixonada por corridas deseja. 

Uma parede inteira de tênis de corrida, meias de todo tipo, videiras, pochetes, latas de leite. 

LATAS DE LEITE?!

COMO ASSIM?!

Foi assim... Acordei as 3hs, passei o café, apenas tomei água e fiz minha higiene. Ainda na dúvida se desistiria  pra ficar com meu filho  que estava com febre, mas pretendendo voltar cedo, acordei as 3, peguei a bike pedalei até o ponto de ônibus às 4 da madrugada,  pra pegar o BRT rumo ao  Recreio. 

José estava dormindo bem, junto com a mãe no quarto dele. Depois de uma viagem tensa  pra voltar logo e pra não me atrasar muito, ainda tive de correr até a largada  na praça Tim Maia, numa chuva torrencial. 

Fui o último dos 21 k a largar, e isto graças à CET-RIO que, por questão de segurança, pediu aguardar e  um rapaz me ajudar, já que meu chip perdeu o adesivo. Ainda mais embaixo de chuva, não seria demais que ele se soltasse do cadarço preso do tênis. Atrás do número de peito é bem melhor ! 

Como não iria disputar mesmo, ainda voltei alguns metros pra ver se achava...rs. Claro que não aconselho isto a ninguém! Sunds mais que era só eu recorrer aos organizadores o que fiz no dia seguinte. Fui adiante.  

Meias, tênis e roupa encharcados , logo nos primeiros km, mas a temperatura, na casa dos 18°, até que estava boa pra manter o ritmo dos treinos.
 
"Vai, Julio! " um, amigo gritou já no retorno. E eu, ainda indo... Claro que dá um baita incentivo, tanto quanto ser chamado de veterano pelo fotógrafo na chegada. 

No geral,  a prova foi boa. Pena não ter aproveitado o visual da orla do Recreio dos Bandeirantes. E, claro, não deveria ter perdido tempo procurando o chip, tampouco me esquecer de proteger meus documentos da chuva.

Mas o café com leite quentinho, o lanche e a massagem valeram quase tanto quanto a medalha . 

E, pra quem correu o tempo todo com vontade de urinar,  o banheiro químico é o Éden. Claro que nem pensei em concorrer ao sorteio.  

Ainda deu pra eu levar a medalha pro meu filho direto no hospital. A febre já tinha baixado, mas, por zelo e carinho, minha esposa trouxe pro médico.
Encerrar o dia com meu filho dormindo bem, uma boa refeição com direito a duas latinhas de cerveja, um demorado banho bem quentinho e a vitória do Fluminense exatamente contra o Flamengo, foi tudo de bom naquele dia. 

Mas, o que eu jamais poderia imaginar eram os resultados...
16° colocado na minha categoria  aos 65 anos e 3° na equipe da Appai, não dava pra acreditar. Foi quase um sub 2 ! Se arrependimento matasse, eu jamais teria voltado pra procurar o que quer que fosse!

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

A Maratona do Rio de Janeiro. Corridas: o prazer pela longevidade (Episódio 04/2022)

A Maratona do Rio de Janeiro 

As inscrições para algumas corridas importantes para o calendário de corredores são altamente disputadas não só pela possibilidade de acumular resultados pra outras provas mais importantes ainda. 

Apesar doa distanteaes 42 km da Maratona do Rio de Janeiro, eu me vi preparado física e mentalmente, para a Meia Maratona Internacional, me preparando para o ano de 2023.

Mas, não perdi a oportunidade. E a medalha,  claro! Fiz a minha inscrição para os 10km, pela Appai, na modalidade virtual, no primeiro semestre de 2022. 

E isto foi mais um estranhamento para quem há muito não sabia o que era participar de uma prova tão importante quanto aquela. As instruções eram claras: datas e horários definidos, local e modo de enviar o resultado para a comprovação e possível validação.

Não encontrei dificuldade naquela corrida  pois, apenas repeti o mesmo circuito de treinamento que vinha utilizando desde o final de 2021: a orla da praia de Sepetiba. 

Tendo recebido o certificado, o resultado e a medalha virtual, refiz o meu plano de treino para a Meia Internacional, que ocorreria pouco tempo depois. 

O que eu não sabia é que viria um entregador aqui em casa para me entregar uma camiseta e a medalha de participação. 



quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Dinossauros ainda correm por aí?! Corridas: o prazer pela longevidade (Episódio 03/2022)

Dinossauros ainda correm por aí?!

O que aquela geração dos anos 80 tinha como motivador para uma nova atividade física que despontava nas grandes cidades do Brasil eram os livros de Jim Fix, o homem que popularizou as corridas, o Guia completo de corrida (1977), exemplar de capa dura do Círculo do Livro e O novo livro de corrida (1980), que seguiram, no Brasil, à publicação  do Método Cooper: aptidão física em qualquer idade (1972), que virou sinônimo de corridas, do médico Kenneth Cooper, hoje com 91 anos. O jogging definitivamente chegará pra ficar. 



Passados 40 anos, a evolução do esporte não deslustra o valor daquelas obras que despontam como grandes incentivadores do que viria de transformar numa grande indústria de consumo, seguindo a onda neoliberal com a expansão do capital nos anos 80 em busca de novos mercados, notadamente, dos países periféricos, como o Brasil.




Do meu relógio analógico da Technos, com cronômetro com que completei minhas duas primeiras maratonas, às pulseiras inteligentes  passando pelos aplicativos com GPS e os tênis leves, de solas finas, de alta performance houve,  sem dúvida alguma  um salto quântico qualitativo!

Claro que são produtos muito pouco acessíveis à população de baixa renda, tendo em vista o corte de classe social  apesar da romântica visão democrática para alguns esportes e para o lazer. Não estou, aqui, falando do ócio, assunto para outra conversa!

Resta, portanto, a utilização dos celulares, presos por suportes no braço, com aplicativos gratuitos instalados e que, nem sempre funcionam adequadamente, dependendo tanto da tecnologia quanto da qualidade de recepção do sinal do GPS para o devido funcionamento do geolocalizador. 



E isto sem a incômoda faixa de borracha a ser afixada no peito para o monitoramento cardíaco, completamente incômoda e antiigiênica, devendo ser lavada imediatamente após cada corrida, experiência terrível que me fez descartar o meu relógio Speedo, na primeira semana de uso, devolvendo ao vendedor, assim como sua péssima proteção contra a chuva, mergulho e, por incrível que pareça, banho! 


Com chuva ou sol, a retirada dos kits - camiseta, chip, número de peito... - que antecedem as corridas, vão além de momentos de reencontro de antigos amigos, mas, também, autênticas feiras livres com expositores das novidades no mundo das corridas. 

Uma verdadeira tentação pra quem não se contenta apenas com as fotos nos painéis de divulgação nos stands e grandes salões. Há, desde camisetas e bermudas com tecidos especialmente desenvolvidos para corredores, assim como produtos alimentares, óculos, relógios, mochilas, squeezes e outros.



Se naqueles anos precisava medir os batimentos cardíacos com os dedos na veia do pescoço, agora, vem tudo no smartwhatch, o relógio via bluetooth. Vem, não! Vai. Os dados do monitoramento - frequência cardíaca, pulsão, passos, ritmo, distância, altimetria, calorias... - são armazenados em bases de dados nas nuvens.  Em tempo real!

Mas, a elaboração de planilhas assim como o meu diário ainda me são muito úteis e necessárias. Talvez aí - confesso! - seja um vício adquirido ao longo do tempo por quem gosta muito de correr. E de escrever! 

Portanto, claro que são gostosas, impagáveis e perenes as lembranças os momentos daqueles anos em que o staff das provas nem ao menos sequer dispunha de copos dágua descartáveis, patenteado em 1996 chegando junto com as garrafas de material termoplástico, os PETs, naquela década, no Brasil, já tendo sido utilizada bem antes nos EUAs e Inglaterra. 

Entretanto, milhares de copos descartáveis são largados no percurso das provas para serem recolhidos, como lixo biodegradável (?!) ao final das corridas.

Louvável é o esforço de alguns organizadores conscientes com a degradação ambiental e os riscos de uma catástrofe climática, como é o caso da Maratona de Londres, que, no ano de 2019, substituiu os copos descartáveis por bolsas de água comestíveis - sem sabor, desaparecendo em seis semanas -, indo ao encontro da sustentabilidade, evitando, assim, o acúmulo de lixo poluente, a despeito de toda ação de reciclagem.  

Também são servidos copos e embalagens tidos como biodegradáveis e descartáveis, como bebidas energéticas, ao longo das provas. Afinal, plástico é plástico: os oceanos, estômago dos peixes e a tartarugas que o digam.

Assim como o meu fiel relógio de aço cromado, também me lembro das balas de café e de amendoim, assim como da rapadura que não dispensava nas corridas daqueles anos em que contava com o apoio de minha ex companheira que, junto com minha filha mais velha, levava água, mais balas e banana pra mim durante o percurso.

Sobre a história e a evolução da Maratona do Rio, para quem pretende se deter e aprofundar no assunto, assim como os apaixonados pelas corridas, vale à pena a consulta tanto ao blog "A Maratona do Rio, na década de 80, da Contrarelógio, postado em 26/09/2017, assim como os artigos acadêmicos da área da educação física.

Agora, não só bebidas energéticas, repositores e isotônicos são servidos, como, também, há a disponibilidade de lounge, com tratamento vip, guarda volumes, massagem, posto médico dentre outros serviços que tornam a conclusão de uma maratona uma verdadeira chegada no Éden, além da medalha e da conclusão no tempo tão esperado. Logo, logo, o corpo se ressente, claro! 

Afinal, as centenas de milhares de batidas da sola do pé no chão refletem por todo o corpo, notadamente, na base da coluna, panturrilha e coxas onde o gelo e a massagem chegam como um alívio. Tanto quanto uma longneck bem gelada! Antes da tradicional macarronada cheia de molho. 


Os dinossauros, ao menos nas maratonas, ainda não foram extintos - e não sei se o serão! - pois, as histórias e memórias de algumas provas para as quais tanto nos preparamos e sonhamos realizar, são como projetos de vida em que, na medida de nossas possibilidades, procuramos incluir pessoas cuja companhia nos fazem e fizeram tão bem. 

Nossos amigos, familiares e, até mesmo anônimos que conhecemos somente no percurso da prova, como foi o caso do rapaz que me ajudou, na minha primeira maratona, não só a concluir aquela prova - correndo ! -, como, também, segurou o meu braço para eu não cair, compõe nossa passagem por esta vida e estada no planeta e, creio, necessário compartilhar tamanha experiência que pode nos tornar menos egoístas, conscientes de nossas responsabilidades com o planeta e, quem sabe, mais fraternos, generosos e solidários.


Night Run (1a etapa). Corridas: o prazer pela longevidade (Episódio 02/2022)

Nigth Run (1ª etapa)

Foi assim que decidi por participar, depois de 36 anos longe das corridas de rua, de uma prova de 12 km, a Nigth Run, com o percurso da orla de Botafogo, no Rio de Janeiro, até o Aterro do Flamengo, tendo obtido a 8ª colocação em minha categoria. 




Além de incluir pedaladas na minha planilha de treino, comecei acompanhar o canal do preparador físico, especialista em corridas, Rodrigo Bicudo, criador do programa #boracorrer,  do qual até hoje integro.

Minha alimentação sofreu, claro  sensíveis modificações, na medida que aumentou consideravelmente o meu gasto calórico. No meu cardápio adaptado às minhas necessidades, no café da manhã e lanche da tarde,  busco incluir ovo, batata  e milho cozidos, torrada com pasta de gergilim, café com leite (pingado) com cacau 100%, banana e granola que eu mesmo preparo.

Repito, quando possível, o almoço, aumentando o consumo de proteínas e não rejeito os carboidratos: adoro macarronadas e pão francês, principalmente a casquinha e o miolo. Com manteiga de coco temperada aquela iguaria que sobra do prato de minha companheira fica uma delícia no café da tarde. Ainda mais com a conversa gostosa da sua boa companhia, antes de buscar nosso filho na creche. 

Meu desafio continua sendo o consumo adequado de água e a diminuição do sal, apesar de que não ingerimos fritura, enlatados, alimentos preparados e refrigerante, consumimos poucos doces a não ser irresistiveis bolos da Jéssica, nos finais de semana, a que se juntam as baguete de gergilim com pasta de ricota, preferidos pelo José Vitor.

Correndo regularmente, descansando, sem abrir mão de uma latinha de cerveja pra brindar a vida, às sextas feiras e me alimentando bem, me senti muito confortável pra concluir aquelas duas voltas, do Monumento aos Pracinhas à Glória  mesmo não conseguindo superar a marca do treino.

Mas valeram cada metro daqueles 12 km, nos meus fabulosos 65 anos de idade, concluindo a prova com pressão 12 x 7, aferida pela médica do posto. 

Experiência maravilhosa, e primeira medalha dedicada ao meu filho, que não pode ir pois ainda não havia sido vacinado e da insegurança e os perigos das noites cariocas. Gostei muito do clima, daquela noite estrelada, no mês de maio, de 2022, contagiante e temperatura super agradável.


Organização exemplar: serviço de água, frutas, posto médico, batedores, lounge, guarda volumes e ao longo do percurso, sinalização e policiamento presentes. 

Pais e mães com seus filhos, nos ombros ou em carrinhos empurrados,  correndo com eles; Idosos, casais, jovens animados em equipes vindas de lugares distantes. 

Apesar de  haver  retirado meu kit no dia anterior, na sede da associação da minha categoria profissional,  a Appai, no Centro do Rio, deixei pra colocar o número de peito com o chip, pouco tempo antes da largada.

Um erro por ignorância e atraso na chegada por transporte coletivo: calculei mal o translado contando com a presteza do uber, o que, conforme a lei de Murphy, não teria como funcionar. 

Poderia ter pegado o VLT na saída da Estação Central do Brasil e, apenas caminhado da Glória até o Aterro  local da largada. Mas pensei errado e não consegui pedir um uber a tempo.

Na concentração, música estimulante e muita gente quase colada uas às outras  o que tornava tanto o alinhamento quanto a locomoção inviáveis. Impressionei-me, durante a corrida, com muitos corredores iluminando o trajeto com lanternas presas na testa

Depois daquela noite inesquecível, ainda contei com a recepção na casa de minha primogênita e do meu genro, o que espero retribuir logo. 

Torci pra que, no dia 3 de setembro, já estar correndo ao lado de uma de minhas filhas que também corre, o que ainda não será possível.

Organizando-me e me preparando pra próxima corrida, torço pela vacinação de todas as crianças e que brasileiras e brasileiros, em outubro deste ano, não repitam o mesmo erro e elejamos um presidente devidamente preparado para o cargo seguindo aproveitando intensamente a vida ao lado de quem amamos e nos amam! É o que vale!


terça-feira, 30 de agosto de 2022

O desafio de voltar a correr. Corridas: o prazer pela longevidade. (Episódio 01/2022)

O desafio de voltar a correr

Aos sessenta e um anos, um menino chegou na minha vida.  Já com tudo estabilizado: casado, servidor público, no último nível de formação acadêmica, faltando apenas juntar os documentos para me aposentar, pai de duas filhas, adultas casadas, formadas e, também, funcionárias públicas, presentes do meu meu primeiro casamento. 

Eu e Ana Paula, minha companheira  não havíamos planejado uma criança que, efetiva e definitivamente, mudou as nossas vidas, claro, pra bem melhor! 

Tudo se reveste de outros significados num casamento, depois de quase 30 anos!!!

Com a sua chegada, tudo mudou em nossas vidas, principalmente, nossos objetivos e planejamentos: tudo agora incluiria nosso filho! 



No seu segundo aninho de vida, e eu, prestes a concluir o doutorado com a defesa de minha tese,  o Brasil mergulha num pesadelo que persiste até o momento em que inicio este texto. 

Nosso país conhece o seu mais sinistro momento histórico: a eleição de um governante, que, ainda em sua campanha já havia se mostrado déspota, homofóbico, misógeno e fascista e, logo, logo seria percebido, além de despreparado para o cargo, algo bem pior.  

A luta pela liberdade e pela democracia sempre foi uma constante na minha vida e da minha família. Talvez ai resida a minha paixão por um dos esportes tão democrático quanto o futebol no nosso país: as corridas de rua. Elas atraem pessoas de todas as classes sociais, cor, religião, condição sexual, idade...

Estudante universitário,  participei do movimento pelas Diretas Já, após um longo período de ditadura civil militar, militei pelas causas sociais, consciente da minha classe social.

Estive presente em diversas manifestações históricas, dentre elas, a principal: o ato pela democracia na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em 1988, quando, também, participei da minha primeira maratona, a do Rio de Janeiro.

Minha mãe e irmãos sempre militaram por um país justo e democrático e procuramos passar para os nossos filhos um pouco de nossa história e comprometimento na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Permanecemos tentando manter o estado de Direito democrático por mais de trinta anos antes do golpe contra a democracia e instalação de governo que iria facilitar as retiradas dos direitos dos trabalhadores, enriquecimento das elites às custas do empobrecimento das famílias brasileiras. 

Em meio ao caos social, fome e desemprego, uma nova tragédia, - claro, de maior magnitude! - acometeu, agora,  todo o planeta: a pandemia do novo coronavírus.

 Em seu primeiro ano, em 2020, ceifou a vida de 250 mil brasileiros, grande parte, devido à política genocida, que, aliada a uma propaganda negacionista de Jair Bolsonaro, com suas claras e eficazes ações para a rápida e maior disseminação do vírus.

Além do atraso na compra de vacinas, retardou o envio de balões de oxigênio para a cidade de Manaus  contribuindo para deslustrar a imagem do SUS, que já vinha sofrendo com sua depauperação 



José estava em seu primeiro ano de creche tendo comparecido a tão somente duas semanas de aula, apesar de toda a nossa alegria e entusiasmo com a sua felicidade. I

Isolados em nossa casa devido ao afastamento social necessário, passamos a viver uma realidade que jamais poderíamos ter imaginado e que sequer pudéssemos vir a viver: rígidos protocolos sanitários, uso de máscara e do álcool gel, ao receber, em nossa casa, motoboys trazendo produtos essenciais como alimentos e produtos farmacêuticos,  comprados por aplicativos de celular.


Em nosso nova rotina, passei a incluir algumas atividades físicas, na medida em que o tempo passava e a curva de mortes e contaminação seguia sem previsão de queda. Muito pelo contrário, devido à clara intenção do presidente, contrário ao lockdown e à vacinação compulsória.

Apesar de, há muito, não me dedicar às atividades físicas regularmente, a despeito de, até os primeiros anos do meu segundo casamento, correr, com minha esposa, em volta do Estádio do Maracanã e ainda praticar uma arte marcial, com o passar do tempo, deixe-me seduzir pela preguiça e me tornei sedentário.

Crianças e animais correm bem mais que adultos que se deixam levar pela posição sentada ou deitada. Bem diferente e a infância! Na escola, quando pequeno, meu grande amigo e colega, o Joel, me chamava de frango veloz. 

Também, era a maneira mais fácil que encontrava de fugir de apanhar dele quando eu, propositadamente, implicava com ele. bem maior e bem mais gordo do que eu que sempre fui bem magrinho. 

Entre 1988 e 1990, completei duas maratonas e uma corrida rústica e treinava regularmente no Alto da Boa Vista, já que morava na Tijuca, no Rio de Janeiro. 

Saía da Praça Saens Peña, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca e seguia em direção ao Alto da Boa Vista.  De lá, passando pela Casa do Bispo, seguia até a Vista Chinesa e descia pelo Rio Comprido, já nas últimas semanas antes de minha  segunda  grande corrida. 

Assim,completei a Maratona do Rio de Janeiro, de 1990, em 4h13m, melhorando o meu tempo anterior, dois anos antes, em 39 minutos.

Foi num treino longo, de 30 km, nas semanas que antecederam a prova que descobri a necessidade da rotina de tudo durante o treinamento: a inobservância dos horários de alimentação. Precisei, às pressas, correr para o mato. 


Então, no ano de 2020, devido ao lockdown e isolamento social prescritos pelas autoridades sanitárias,  despeito das diversas tentativas de impedimentos do governo federal e de algumas prefeituras, mal sabia que, a suspensão das aulas presenciais na FAETEC duraria tanto tempo.

Naquele final do dia, fui um dos últimos professores a sair do prédio com a sensação de que, no máximo, em quinze dias, retornaríamos à normalidade.

Em função disto, sem a menor preparação ou planejamento, comecei a trabalhar em home office, e tivemos que nos organizar para que nosso filho tivesse o apoio necessário a uma fase de seu desenvolvimento que necessita sobremaneira de atividades lúdico e pedagógicas. 

Mas, sem a presença do amiguinho e da amiguinha, claro que seria apenas um paliativo, mesmo com meus vários anos de magistério, com especializações e pós graduação em educação, estudante de pedagogia e Ana Paula, com licenciatura plena, já graduada. 



Não nos faltou o devido apoio de quem pudesse nos orientar, principalmente da dinda Carol, pedagoga e coordenadora pedagógica, vovô, vovó e meus e minhas colegas de trabalho, que partilhavam realidade semelhante. 

Claro que logo percebi a necessidade de me esforçar para manter a sanidade, retornando com as sessões de terapia, agora, na modalidade online para o necessário equilíbrio psicológico. 
 

Entretanto, o corpo passou a se ressentir da falta de movimentos, das caminhadas, de subir e descer escadas, de algum esforço além dos poucos dentro de uma casa.

E, num dos meus isolamentos dentro de nossa casa - realidade estranha demais!, trancado em nosso quarto devido à suspeita de contaminação, ao visitar um colega, voltei a fazer exercícios físicos regulares o que, após a quarentena, evoluiu, seguindo o exemplo do meu sogro, para caminhadas no quintal da nossa casa. 

Parece que o corpo se acostuma com tudo, tanto o que é bom quanto com o que é ruim e, digo isto por experiência própria! 

Dois anos após a pandemia, com a queda nos números de óbitos e contaminação no mundo e campanha de vacinação avançando, o Brasil seguiu a tendência e o Rio de Janeiro e decreta o fim do isolamento social com o retorno progressivo das atividades econômicas e culturais. 

Talvez o sedentarismo compulsório tenha sido o grande motivador para pensar em voltar a correr. E isto depois de mais de 35 anos da minha última maratona concluída, entretanto, sedentário, não me arriscaria naquela tentação.



E não poderia ser diferente o início, caminhando pela orla de Sepetiba e, por aconselhamento médico, marquei consulta com vários especialistas, principalmente cardiologista, ortopedista e nutricionista. 

Enquanto caminhava e pedalava algumas vezes por semana, realizava vários exames e, assim permaneci por um ano: segurando uma vontade enorme de voltar a correr! 



Até que, tendo me adaptado a um ritmo confortável em mais de 5 km de caminhada, três dias por semana, retornei ao cardiologista que, depois de verificar pressão, batimentos cardíacos, os resultados de exames de sangue, ecocardiograma, ecodopler, transtoráxica, monitoramento de pressão arterial, teste ergométrico e outros, definitivamente, com os devidos aconselhamentos, me liberou pra voltar a correr o que, também, realizei bem devagar, começando com um ritmo e distância bem tranquilas, correndo pela orla, no final do ano de 2021.


Meu horário de trabalho  me permitia conciliar os treinos, ainda sem um planejamento definido, com o curso de pedagogia na modalidade online e a rotina da minha casa - preparar o café,  e, junto com Ana, acordar, arrumar e levar nosso filho pra creche saindo pro trabalho. 
Algum tempo perfeitamente adaptado a esta rotina, ao retornar, quando possível, ainda regava a grama e molhava as plantas.
E, esta rotina, me permitiu me sentir mais confortável ainda nos 10 km, com pace 7 a 8km/h. 

Sair de casa às 5hs da madrugada, muitas vezes ainda escuro, correndo pelas ruas do bairro, me fez acompanhar a rotina de uma outra Sepetiba, a dos trabalhadores e trabalhadoras com reciclados e, numa destas madrugadas, me impressionei com uma enorme carroça puxada por uma senhora: a pandemia agravou a situação dos pobres revelando abertamente a frieza, ganância e  insensibilidade dos governantes que além de se enriquecer mais ainda, favoreceram muitos dos grandes empresários brasileiros, que nunca lucraram tanto com a tragédia alheia.

Ao contrário do delivery de alimentos e produtos farmacêuticos e hospitalares, o trabalho com reciclados, devido à falta de descarte de embalagens, foi um serviço que sofreu muito com a pandemia e, agora, com o retorno à normalidade, volta a crescer tendo em vista o desemprego, a inflação e a perda de poder aquisitivo das famílias, notadamente, às mais pobres.

Ainda amargamos um desgoverno que não tem a menor capacidade de gerenciar um país continental como o Brasil, que depois de ter zerado a fome, com um programa de excelência inspirado na genialidade do Betinho, volta à linha da miséria e desnustrição crônica.

Não há espaço para estes e estas trabalhadoras dispor de tempo ou de uma adequada alimentação para a prática de algum esporte. A disputa ainda é pelos restos de comida às portas dos supermercados.

Entretanto, neste país de contrastes, há, também, aqueles que podem dispor de um tempo de ócio. Diferentes são as pessoas que encontro quando decido correr exclusivamente pela orla de Sepetiba, em busca de corridas planas, também longas, porém, de maior velocidade, sem disputar com os automóveis, pela ciclovia. 

São casais caminhando de mãos dadas e ouvindo música; uma militante da causa ecológica, catando pets pela areia da praia - nossa memorável e simpática Xuxa, a de Sepetiba -; bombeiros militares da base naval; rapazes que correm numa velocidade admirável, mocinhas com os seus legs e fones de ouvido, dentre outras e outros.

Assim como o cardiologista, a nutricionista comprou o meu desafio: chegar aos 75 anos em pleno vigor, com saúde plena, participando de maratonas, pois, com esta idade, José estaria com os seus 14 anos exigindo muito mais de mim.

A nutriconista me propôs uma dieta de baixo consumo de carboidratos, pois, ainda, não havia mergulhado num dos esportes aeróbicos de maior consumo de calorias: as corridas de rua rumo, com grandes percursos, ruma  às maratonas, pelo que, logo precisou ajustar o meu cardápio aumentando o poder calórico inserindo os flocos de quinoa junto aos ovos e peito de frango.

O meu maior desafio continuava sendo o de ganhar massa magra, pois, com a minha idade, o que é muito fácil, se descuidar da alimentação, com grande ingestão de proteínas, é emagrecer cada vez mais. A alimentação aqui em casa é estritamente ovolactovegetariana, e, portanto, aumentei a ingestão de oleaginosos e voltei a jantar sem descuidar do feijão com arroz diário, lentilha ou grão de bico junto com verduras e folhas escuras.

De duas a três vezes na semana, ainda consumo proteína animal, no almoço no trabalho, o que me satisfaz plenamente, muito mais pela saciedade que, propriamente, pela necessidade alimentar propriamente dita, já que, ainda que não coincida o cardápio do dia, não tenho sentido a fome que sentia antes da reformulação alimentar.

Minha esposa conhece bastante de alimentação vegetariana e vegana, na medida em que, desde a gravidez ela, não só continua cuidando de sua saúde como, também a do nosso filho, que adora brócolis rs

Passei a levar um mix de oleaginosos para o meu lanche, a fim de não passar de 3 horas sem me alimentar, e aumntei o consumo de banana e amendoim, inserindo a quinoa em minha alimentação diária.

Seguindo as orientações de um professor de educação física, também colega de trabalho, para voltar a correr, confiei meus planos a outro amigo e corredor, o Paulo, que me presenteou com um livro, que passou a ser o meu livro de cabeceira sobre corridas, do Dr. Dráuzio Varela. 

Além de trocar muita experiência, logo me convidou a participar de um grupo de corredores apaixonados, pelo WhatsApp, onde, a cada treino concluído, postamos nossos resultados e comentamos o dos colegas, motivando-nos a nos superar.